Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



sexta-feira, 22 de junho de 2007

Skinheads, Política e Apoliticismo


Para muitos Skins foi a política que dividiu o movimento Skinhead e o deturpou, em parte isso está certo, mas concluir apenas isso é ficar na superficialidade e se negar a entender de fato a questão da influencia política entre os Skinheads. Todos que tem um conhecimento mínimamente embasado sobre a história dos Skinheads sabe que na sua origem não eram politizados, nem ligados a nenhum partido ou corrente ideológica, nem de esquerda nem de direita, mas sim uma subcultura urbana de rua ligada ao reggae, ao ska e ao futebol, podendo as opiniões políticas entre os skins variar imensamente de individuo para individuo.

Mas o fato é que nos anos 70 o “movimento” se dividiu, uma parcela dos skins foi cooptada pela direita, outra parte se manteve fiel ao que imaginava ser o “espírito de 69” e uma outra parte foi para a esquerda (sim, há skins de esquerda desde o inicio), entender esse processo não é tarefa fácil, mas não basta simplesmente rejeitar a política e defender um apoliticismo cego para compreender o que houve nessa época, e que tem seus desdobramentos na atualidade do “movimento” Skinhead.

Para entender a questão profundamente teríamos que fazer uma análise da conjuntura social e política na Inglaterra daquele período, coisa para a qual não temos nem o tempo e nem o espaço adequado aqui, por isso queremos simplificar afirmando que os skinheads, como qualquer outra cultura ou agrupação social, sofre as influencias de seu tempo e das relações que existem na sociedade em que vivem, é dessa relação com uma realidade cheia de conflitos e contradições que veio o problema da politização do “movimento” skinhead com todos os seus aspectos negativos e positivos.

Em uma sociedade cheia de conflitos e contradições as pessoas são levadas a se posicionar sobre eles, de forma consciente ou não, daí as posições políticas, concordemos ou não com elas. Além do mais nada permanece imutável ao longo do tempo, não seria diferente com os skinheads, mas para nós, que somos skinheads e que, em face da direitização, optamos por assumir uma postura claramente de esquerda o pior de tudo é ter o nome skinhead associado ao racismo, ao ridículo neonazismo e agressões covardes.

Não somos pacifistas nem bonzinhos, mas não aprovamos agressões articuladas por grupos de extrema direita contra pessoas que na maior parte das vezes nem tiveram como se defender. Muitos apolíticos se dizem contrários ao racismo e que não gostam dos nazis, mas também entendemos que isso não basta, pois muitos dizem isso mas não assumem uma postura abertamente anti-racista e anti-fascista e entendemos que não há outro meio de estirpar esse câncer senão com um posicionamento mais afirmativo, com isso não queremos dizer que todos sejam obrigados a se engajar politicamente, mas não vemos como não ter opinião clara quando se trata dessa questão.

Não se posicionar, dependendo da conduta que se adote, pode significar omissão, e já vimos na história que a postura de simplesmente ignorar não funcionou, ser politizado não significa ter a obrigação de entrar para um partido, mas com certeza significa ter consciência e não ser um mero joguete e nem um “maria vai com as outras”, que é o que acontece com muitos dos apolíticos que rejeitam a politização sem procurar compreender porque ela ocorreu e ocorre, ela é um dado da realidade, e não entender a realidade pode fazer do individuo um simples marionete, inclusive de políticos.

2 comentários:

Camilo disse...

O Apoliticismo, a suposta neutralidade ou "centrismo" são ilusões de quem não tem identificação ou coragem suficiente pra se posicionar por um lado.

O indivíduo apolítico, e vemos isso claramenter dentro da cultura Skin, é como a classe média na luta de classes: pode se posicionar pela burguesia ou pela classe trabalhadora a depender do momento! É um pêndulo, e em cada questão ou ponto, ele vai ter um posicionamento ora de direita ora de esquerda, mas sua visão política não é clara, definida... embora ela exista!

[denise abramo] disse...

claro. o apolítico vira muitas vezes massa de manobra, e geralmente é também oportunista, pois adere finalmente, quando lhe convém, a qualquer coisa que aparece.

mas é também uma questão cultural. a pós-modernidade está aí, sei lá, a luta de classes está em baixa, dizem que o capitalismo ganhou... é preciso ter paciência, paciência revolucionária, para entender a historicidade desse momento - muita gente vai mesmo se declarar apolítica, porque não está nem aí, a política é o que ele vê na televisão, são os senadores, os deputados, e não a greve geral e a revolução.