Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



segunda-feira, 25 de junho de 2007

Skinsgirls contra o machismo

Ao surgimento d@s primeir@s skinheads, se podia notar as primeiras skinheads girls com suas franjas, saia entablillada (influência direta das modettes) e pelo corte que com o tempo foi ficando cada vez mais raspado (muita influência rude!). Detrás de uma skinhead girl, e muitos não querem admitir, há um grande número e história, com identidade própria e nota-se a isto, por que não aumenta ou diminui o grado de skinhead no fato de ser homem ou mulher. (Zine Reaccion Skinhead Girl nº1 – Organização Latinoamericana de Skins Girls).

Alguns dizem que tanto Rash (Skinheads Anarquistas e Comunistas) como Sharps (Skinheads contra o preconceito racial), mesmo sendo anti-racistas e anti-fascistas, são cultura de “macho”, pois bem, os seus argumentos defendem que são culturas masculinizadas, como o do Hip Hop.

A questão nos parece oportuna para refletir no comentário, porque dizem que é "coisa de macho"? Acaso cerveja, futebol, esporte/defesa pessoal são exclusividade masculina? Isso são conceitos que a Sociedade Patriarcal determinou como sendo do gênero masculino! Mulheres não devem jogar futebol? O quem tem de absurdo gostar de esportes? E lutas? Porque as mulheres não podem treinar? Fazer academia para saber defender-se em um ataque ou assédio enfim, isso é autodefesa, porque temos que aparentar ser sempre “frágil”, “delicada”, “sensível”, “comportada” e outras coisas que nos ensinam desde pequenas para acharmos que somos inferiores, porque tudo que sai deste padrão de “feminilidade” é taxado como coisa de homem? Mulheres não podem gostar também de outras mulheres? Combatemos o sexismo e a homofobia!

Será então que o problema é a cerveja? É a cerveja ou a mercantilização do corpo das mulheres pela indústria? E se a questão é essa estamos lutando para dizer que nossos corpos nos pertencem! Não apenas para a indústria de bebidas, mas o capitalismo em geral. Há vários grupos de skinheads gays fora do Brasil e há em SP skinheads gays, uns envolvidos politicamente e outros não. É inconcebível que grupos e indivíduos militantes como nós, para defender um argumento agarrem-se a triste visão do sistema que vivemos, nós não apontamos o dedo para as coisas e dizemos "isso é coisa de homem e isso é de mulher", simplesmente porque somos anarquistas e feministas e não acreditamos no sistema de gêneros, pelo contrário, lutamos pelo fim dele! É o sistema que dita o que é de “macho” e o que é de “fêmea”, essa é a cultura machista que a sociedade nos ensina, nós não vamos cair nessa sustentando o que o sistema convencionou como padrão, além disso nenhum grupo contra-cultural e até a própria esquerda na sua origem nunca foram expressamente contra o machismo e o sexismo, as mulheres destes grupos lutam para que o machismo acabe também dentro dos grupos que se reivindicam libertários nesse aspecto, essa é uma luta que tod@s temos que ampliar e como disse Maria Lacerda de Moura “a libertação da mulher vai ser por sua própria luta, e não pela sociedade” . As mulheres Skins estão ai produzindo, seja com zines, bandas, grupos/coletivos e etc..

Mulheres Skins unidas contra o machismo, sexismo, racismo, fascismo e todo tipo de preconceitos!

Um comentário:

Camilo disse...

EXCELENTE esse texto! Fala com muita clareza que o machismo é uma opressão social que existe na realidade como um todo e não é simplesmente um "pilar" da cultura Skin desde o seu início,como muitos sustentam enganadoramente pra difamar, discriminar e diminuir a cultura Skinhead, cultura esta sim, da classe trabalhadora até o osso!!

O Machismo, infelizmente está impregnado em todo o lugar, e dentro de nossas próprias cabeças sem que percebamos, vide a sociedade e época patriarcal e opressora que vivemos! Inevitavelmente, por isso, ele se mostra também dentro da contracultura, o que não deve ser visto como algo imutável dentro dela, ou algo típico da contracultura em si, mas como mais um reflexo da sociedade sobre as subculturas. Não compreender essa diferença é escamotear a verdade e superficilaizar um problema complexo que vai muito além de rótulos! Vida longa às companheiras chelsies de coração vermelho!