Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



segunda-feira, 16 de julho de 2007

Entrevista: Subversivos



Entrevista com a banda SUBVERSIVOS pra RASH-SP – fev/2007.

Bom, essa é a entrevista que nós fizemos com o Camilo, vocal da banda de Punk Rock/Oi! Socialista de Recife-Br.



Bom, primeiramente gostaríamos de saber como foi o início da banda, o por que da formação de uma banda Punk/Oi! Comunista?

Bom, eu acho que a gente começou como muitas outras bandas! Eu e Fred estávamos no cursinho pré-vestibular, em 1996, acabado de nos conhecer e começar nossa amizade tendo em comum algumas paixões: o socialismo e o punk rock! Começamos a nos identificar com estes valores, descobrir bandas e sons e perceber as afinidades e admirações políticas que tínhamos em comum desde aquela época.

Numa conjuntura completamente alienada como era a de um cursinho pra vestibular destes, não tardou pra que nós fossemos tachados de freaks e desajustados! Assim, ao longo daquele ano, à medida que começamos a escutar e conhecer o punk e toda a cultura por trás dele, surgiu naturalmente idéia de formar uma banda e essa idéia tomou corpo até que no natal daquele ano, Fred ganhou um Contrabaixo da família e aí demos o pontapé no negócio. Maturamos a idéia e fizemos uns pouquíssimos ensaios ao longo dos três anos seguintes, sendo que no perimirão eu ainda era o baterista, até que subimos em palco na vera em março de 99. De lá pra cá, só crescemos e nos aprimoramos!

O nome SUBVERSIVOS surgiu como o melhor de uma lista de 47 nomes que tínhamos e acabou sendo o mais coerente com nossas afinidades: curto, bonito, perigoso, com propósito e ainda fazia referência aos heróis da luta armada, subversivos contra a ditadura militar, que era mais que justo homenagear e se inspirar!

Começamos como mais uma banda punk, mas à medida que os anos, shows e composições foram passando, à medida que nosso envolvimento político foi ficando mais maduro e claro enquanto comunistas dentro do movimento estudantil e em nossa vida como um todo, o nosso trabalho na banda foi se tornando mais claramente comunista, em sua forma, conteúdo e na maneira como pensamos e agimos enquanto coletivo. Foi assim, um processo natural à banda se tornar mais que uma banda punk rock, mas sim, uma banda comprometida com o socialismo, o comunismo, a classe trabalhadora e a luta contra o capitalismo.

No começo, como era a cena Punk/SKINHEAD de Recife?

A cena recifense surgiu pouquíssimo depois da cena de São Paulo, no comecinho dos anos 80. Aqui, enquanto região economicamente menos desenvolvida que SP, acabou vendo o surgimento de uma cena bem menor, com alguns indivíduos levando a cultura punk adiante. O acesso a materiais e informação ainda era mais restrito e lento que o que já se via em São Paulo. Mas no meio dos anos 80 havia já uma cena punk predominante aqui, com bandas, zines e vários indivíduos vivendo isso pelas ruas daqui!

Podemos dizer que a cultura Punk aqui em Recife já está na sua quarta geração. É uma cultura que sempre foi vista por aqui desde esse começo aqui no Brasil, ou seja, hoje já tem sua tradição e suas comuns subdivisões.

Já a cultura Skin por aqui, nunca pegou nos anos 80 e 90, nem mesmo chegou a haver um desdobramento da cultura careca por aqui. Então, na prática é uma contracultura sem tradição nas nossas ruas, e como não poderia deixar de ser, mais do que cercada por desinformação e deturpações. Só nos últimos anos, com o acesso à internet e com o desenvolvimento de outras cenas e bandas mundo afora, alguns indivíduos vem se identificando com esses valores e trazendo eles como prática cotidiana. Hoje existem alguns Skins e simpatizantes da cultura por aqui, e, não por acaso, sentem a necessidade de se aglomerar em grupo e de florescer atividades e cultura que desenvolva, desmistifique, divulgue e agregue estes novos skins dentro de um cenário punk rock, rock e alternativo que existe na nossa cidade.

Quais são as influências musicais da banda? E o mais importante, quais são as influências políticas da banda?

Pô, sem dúvida, o núcleo criador dos SUBVERSIVOS começou a ter como principais referencias o punk 77 dos Pistols e do Clash, sobretudo, ao mesmo tempo em que conhecemos os Garotos Podres.

Temos boas referências nas bandas politicamente engajadas com a classe trabalhadora, que não se vendam, que usem seu trabalho pra conscientizar as pessoas, que utilizem os espaços culturais abertos por seu trabalho, onde quer que sejam, pra defender os trabalhadores, atacar e denunciar o capitalismo e suas contradições e, claro, defender o socialismo como um sistema mais justo e humano pra todos.

Nossas referências são dentro da cultura Punk, Oi! & Hardcore, por que isso sempre foi à liga musical que unia os membros da banda! Foi dessas escolas que começamos e não saímos mais, embora não sejamos sectários e ouvimos bastante outras coisas e estilos, sempre criticamente, claro! O som que curtimos em termos de bandas é uma lista interminável, por que na nossa banda os cinco integrantes ouvem bastante coisas distintas, mas, quando compomos, o que procuramos fazer naturalmente é um som punk forte, dinâmico, com uma melodia bonita mas sem frescura, bem tocado, rápido na medida certa, com solos que grudem em nossa cabeça, com vocais agressivos e raivosos bem entendíveis e escutáveis em todas as suas letras e muuuitos backing vocals coesos, unidos, em palavras de ordem fortes que todos possam cantar em coro e alto e bom som! ISSO é um punk rock que funciona pra gente!

Vocês se importariam em falar sobre a militância política dos membros da banda?

Não, é muito tranqüilo dizer que somos uma banda engajada por que naturalmente três dos cinco membros são sim, politicamente engajados na vida. Somos membros há anos do Partido Comunista Revolucionário – PCR, partido Marxista-leninista, fundado em 1966 pelo camarada Manoel Lisboa de Moura, que defende a mudança revolucionária em nossa sociedade.

Assim, nossa música embala e apóia o movimento estudantil, os movimentos sociais, os sindicatos combativos, as associações de bairro, as rádios comunitárias, os comitês por anistia a presos políticos, os movimentos por direitos humanos, o fim do pagamento da dívida externa, as opiniões progressistas e tudo o mais que consideramos dignos de apoiar por, de alguma forma, significar avanço na luta pelos direitos e melhorias para o trabalhador e pela luta pelo socialismo em nosso país e no mundo.

Apoiamos mais diretamente os movimentos de massa que nosso partido organiza e dirige e nos solidarizamos com todos os outros que nos chamam pra uma apresentação, palestra, debate ou oficina de fanzine.

Como você acha que o campo de ação de vocês pode ser ampliado, fazendo com que a mensagem que querem passar, possa alcançar mais pessoas?

Não se sectarizando, procurando seguir e aplicar o lema Oi! de Igualdade, Unidade e Rebeldia onde quer que atuemos. Temos que enxergar, como dizia o camarada Mao Tse Tung, a enxergar o bosque além das árvores. Precisamos entender que não é se fechando em guetos que mudaremos as coisas. A contracultura, a cultura de resistência, é importante, mas ela é sua própria trincheira. È preciso não se sectarizar, participar o mais possível com suas idéias de outras cenas, mesmo a Hip Hop ou Metal, por exemplo.

Pensar que a comunicação é extremamente importante, não subestimar nenhuma ferramenta ou oportunidade pra falar. Escrevendo textos, publicando fanzines, e-zines, manifestos, panfletos! Colaborando com muitos outros campos que não sejam apenas o da música e cena underground, alternativo ou contracultural. É ir a programas de televisão quando for possível, de rádio, dar entrevistas no maior número possível de meios de comunicação, participar de fóruns na net emitindo opinião, escrever em blogs e colunas online, enfim usar e criar todos os espaços possíveis e imagináveis pra fazer agitação contra o capitalismo, a classe burguesa e propaganda do socialismo e da organização popular como saída pra sair desta crise que o sistema nos impõe.

Vocês, como poucas bandas do cenário underground (leia-se Oi!) brasileiro, tem uma posição libertária assumida nas suas letras, discos e qualquer material de divulgação. Isso já gerou algum conflito com qualquer grupo da área de vocês (autoridades, gangs, grupos direitistas, etc)?

Não, não tivemos nenhum confronto de ordem física, sempre tocamos cercados de camaradas, companheiros e aliados e isso nos dá muito respaldo. Mas já organizamos, numa situação de crise em 2004 um comitê de autodefesa antifascista aqui em Recife, pra atuar no centro, na rua, em dias de eventos de massa, pra peitar a reação fascista de grupos punks que queriam levar a cultura punk e Oi! No bolso. O patrulhamento ideológico desses imbecis chegou a tal ponto que houve perseguições e violências pra punks e simpatizantes amigos nossos, de nossa crew, de nosso bairro! Quando organizamos esse comitê e passamos a andar alerta em tempo de caça e revide, o fizemos pra não deixar o autoritarismo desses grupos se espalhar e criar raízes, até que no carnaval de 2005 botamos o núcleo mais sectário desse grupo reacionário pra correr... de lá pra cá o sectarismo sem tamanho deles fez o resto e eles tanto se boicotaram entre si e se perseguiram que o grupo hoje é irrelevante pra cultura underground recifense.

É comum também, um boicote nitidamente político em algumas pequenas rádios nas mãos de conservadores ou mesmo de entidades pelegas. A atual direção local da UNE, por exemplo, vetou nossa participação na Bienal de Cultura da entidade em 2003 por que é uma direção majoritariamente pelega, que não quer sujar suas mãos com palavras de ordem fortes sobre a mudança em nossa educação! É uma direção comprometida com o governo e os interesses burgueses sobre a educação pública. Assim, distante dos interesses dos estudantes não nos surpreendeu manter de fora a única banda comprometida com os movimentos estudantis combativo, revolucionários.


Por falar em grupos de direita, em alguma gig ou passeata envolvendo algum dos membros da banda, houve algum problema com estes grupos?

Não detectamos ainda, aqui em nossa região metropolitana, nenhum grupo de direita organizado no underground nem política nem culturalmente. Sabemos que os indivíduos que a direita pode se valer pra criar núcleo sempre historicamente foram avessos a qualquer tipo de organização e centralização de idéias, Penso que isso dificulta muita a criação de grupos organizados ideologicamente por idéias reacionárias, por aqui... Houve sim, há muitos anos, poucos eventos isolados de desinformados acusando euforicamente a gente de nazi pela defesa que sempre fizemos da cultura skin ou mesmo por achar que comunismo e nazismo é a mesma coisa. Mas esses indivíduos sempre foram isolados em nossa cena e sempre foram desacreditados e rechaçados pelo nosso próprio público. E pelas nossas próprias palavras em palco.

Entretanto, já houve alguns elementos punks reacionários, já citados anteriormente, que chegavam ao cúmulo de ir pras passeatas pra boicotá-las! Por mais ridículo que isso fosse, nunca chegou a desbancar pra violência física, por que pra mim, participar de um evento como o Grito dos Excluídos é um momento de prazer, em que eu, enquanto Skunk, me solidarizo com a luta de outros trabalhadores, movimentos e excluídos, levanto a bandeira de minha banda, represento a cultura de rua nesse evento, falo no carro de som pra massa, e posso levar na prática a máxima da Rebeldia, Unidade e Igualdade. Procuro ser mais um compondo estas alternativas de resistência com muito orgulho, representando minha trincheira de luta, no mesmo pé de igualdade que os trabalhadores metalúrgicos ou sem terra, mas ainda assim, unido e solidarizado a eles, por que sozinho somos só indivíduos revoltados e unidos somos fortes e potencialmente perigosos pra esse capitalismo que está aí!

Se alguns imbecis insistem em acompanhar toda a marcha sem tomarem parte dela, a falar pelos cotovelos, fazerem cara feia e acharem que seu boicote tosco significa alguma coisa, que façam isso no canto deles, por que cara feia pra mim é fome!

Esse tipo de punk, que se acha o mais fodão, puro e verdadeiro possível, não taca uma única pedra nem no sistema nem na gente que se organiza. Então, vai morrer boicotado até pela própria avó e reclamando pro próprio umbigo, por que se inventar de perseguir ou atacar outras correntes que agem coerentes com o que acreditam, vão apanhar e sumir do mapa, como já fizeram no passado!

Infelizmente, como já dito em outra pergunta, vocês, assim como raras a exceção do cenário brasileiro, tem uma postura e sonoridade excelente (Flicts, Garotos Podres, Juventude Maldita, Street Rockers, Grevisionarios, tercera Classe, 88 Não!), existe mais alguma banda do Recife, ou até do nordeste brasileiro que vocês recomendam?

Existe vário que gostaríamos de aproveitar a oportunidade pra ajudar a divulgar e dar essa força pra esses companheiros, não necessariamente por serem street punk, ou OI!, ou socialistas ou algo do gênero, mas por participarem ativamente da cena recifense nos mais diversos aspectos! São bandas empreendedoras, que produzem e trabalham e pensam e acreditam no que fazem mais do que ficam em casa dizendo que a cena está uma merda, enfim, são bandas muito batalhadoras, que, estilos de som ou de vida à parte, são nossas companheiras nas diversas cenas da região metropolitana. Assim, conheçam o som e as idéias da galera do:
NÕMADES, punk/hardcore , OS MEDONHOS, punk-horror; RABUJOS, brutalcore; PUNKDARIA punk/hardcore; UGLY BOYS, punk rock; ESTADO DECADENTE, hardcore, COGUMELO MOSH, hard rock; REVOLTA CIVIL, trashcore, ASTAR pop rock

Nós temos conhecimento da seção SHARP-Recife, qual a contribuição de vocês para essa seção?

A sessão SHARP local foi uma iniciativa em que nós participamos ativamente pra formar. O núcleo criador da SHARP é de amigos nossos, inclusive nosso ex-roadie, skin, e estamos procurando dar todo o suporte que podemos, não só ajudando a organizar, escrevendo material pra sessão, intervindo em nossos shows, como também vendendo e divulgando os zines e manifestos da sessão local nas cenas que participamos, colamos com os rolês da galera e contribuímos ativamente nas boas discussões do fórum no Orkut. Afinal de contas, temos um Skunk e um Skin Casual na banda, e nosso entusiasmo pela organização anti-racista aqui é grande!

Pensamos que a SHARP local precisa se consolidar mais, criar mais vínculos internos e principalmente, sair mais na rua, por que só na rua a cultura skin anti-racista pode se mostrar e criar tradição e vivência. Os fóruns de internet são legais, ajudam a criar laços e a difundir e debater idéias, e por isso, a organização em si é o primeiro passo e ela deve ser preservada e incentivada, mas o objetivo dela é disseminar a cultura Skin anti-racista e peitar na prática o racismo na cena, onde for detectado. È preciso mais do que o que estamos fazendo até agora, mas também, novos skins só surgirão em nosso estado e cidade se virem o que a cultura punk já faz há muito tempo por aqui: exemplo vivo, cotidiano e rebelde andando por aí, rua afora.

Algum plano de show para outros estados do país?

Infelizmente, nada em termos de plano traçado, por que a vida de proletário que a gente leva dificulta em muito esse tipo de agendamento, por que pra se deslocar pra outros estados, só se for pra perto, num fim de semana e tal, senão a gente se fode no trabalho, já que tocam nessa banda cinco proletários com a corda no pescoço, sendo três designers, um professor de inglês e 1 contabilista, então, pra gente descer pra longe aqui no Brasil, embora a gente adore a idéia e num falte à vontade, tem que ser num período que todos programem férias conjuntamente ou se a organização do evento bancar passagens aéreas pra gente de modo que a gente possa ir e voltar de longe.

Mas, estamos por aqui, sempre a postos, atendendo o chamado de todos que organizem boas tocadas pra gente, por que vamos pros nossos shows pelo tesão de se apresentar, de passar nossa mensagem e idéia pra outras pessoas, por ideologia e não pelo dinheiro, até mesmo por que, o punk rock sincero no Brasil não dá dinheiro quase nenhum, no máximo mantém os gastos de existência da banda e dá um troco pra cervejas!

Qual foi o melhor e o pior gig de vocês e por quê?

Cara, já tocamos em tanto lugar fudido e lenhado, desestruturado, longe e mal divulgado, que fica até difícil dizer onde foi o pior... A falta de estrutura e preocupação com finanças e organização no underground é notória, e a gente precisa ter tranqüilidade na hora de sacar que quem toca no alternativo ta tocando baseado na força do que o Faça-você –mesmo pode fazer! Assim, damos total valor aquele tipo de evento que prioriza uma boa organização como base de tudo, que seja bem pensado e comunicado pra quem o faz, que haja participação ativa das bandas na construção dele, e por isso eu creio que o nosso pior gig foi um festival no ginásio do time Santo Cruz organizado por um cara de uma banda local que, além de centralizar TUDO na mão dele, colocou 12 bandas pra tocar na mesma noite.

Esse show pecou em TODOS os sentidos de organização: Não houve divisão de tarefas entre as bandas, uma péssima divulgação, uma horrível grade de horários, muito atraso, nenhum lugar pras bandas beberem água ou colocarem seu equipamento, um total liberalismo com o atraso de quem se apresentava ou chegava... tanto que, quando fomos subir em palco, as dois e meia da manhã de uma plena quinta feira, a desorganização era tamanha que outras dois bandas uma de hardcore e outra de Death-metal, subiram ao mesmo tempo pra pegar a vez de tocar na marra!... Quando fomos atrás do “organizador” do evento pra ele resolver a situação, o bicho estava dormindo bêbado no banco de trás do Fusca dele... aí, mermão, a saída da gente não foi brigar com outras bandas pra tocar, até mesmo por que a culpa num era delas e sim da organização daquele show! Enquanto as bandas discutiam quem ia ser a próxima, subimos no palco, pedimos a palavra, nos desculpamos pela nossa retirada perante o público, guerreiro, que ainda restava, e fizemos um discurso feroz, criticando a desorganização daquele evento e do underground, como um mal que prejudicava a todos, banda e público, descemos e fomos embora sem nem tocar. Penso, que só valeu mesmo a dura lição aprendida naquela noite!

Já o nosso melhor show, é fácil dizer qual foi: Em agosto de 2004, num evento aberto chamado A INVASÂO, em Paulista, município vizinho de Recife, em solidariedade a um companheiro nosso, operário e vocalista de uma banda da cena de lá, e articulador da cena local, que estava se candidatando a vereador! O show, além de bem organizado, divulgado, com um palcão e com um super som, teve, antes das apresentações das bandas, uma série de intervenções em solidariedade a revolução cubana na qual eu pude falar sobre o socialismo durante quase meia hora!... Aí, velho, quando subimos no palco, já animados, com a sensação de dever cumprido, fazia somente quatro meses que não pisávamos num palco, a gente tava não apenas SEDENTOS pra tocar, como também estávamos super afiados e ensaiados naqueles meses... quando tocou o primeiro acorde daquele sonzaço, foi matador! Até Dudu, nosso guitarra que é sempre quieto nas apresentações da gente, instigou e pulou!!!

Uns punx amigos nossos vieram da zona oeste de Recife especialmente pra ver a gente e a presença deles só deu mais gás pra gente, que os caras agitaram pra caralho! Foi memorável pra todos nós, e até hoje falam da passagem dos SUBVERSIVOS por Paulista naquela noite!

Qual banda nacional e internacional vocês gostariam de dividir o palco?

Nacional, gostaríamos de dividir o palco com os Garotos Podres, de novo, que é sempre uma honra, o Porcos Cegos e o Flicts. Internacional o Dropkick Murphys, o Los Fastidios, o Rancid. Todas estas bandas, mesmo que não sigam necessariamente nossa linha ideológica, são tomadas pelo mesmo espírito sincero e respeito pela classe trabalhadora e pelo underground combativo... e o som que todas fazem é simplesmente DO CARALHO!!

Gostariam de deixar algum recado para os companheiros de luta, rueiros e pessoas de péssima qualidade que estarão lendo este nosso bate-papo?

O Nosso recado é o de que a luta pra mudar o mundo não está desconectada da luta para sermos seres humanos melhores! Essa luta é paralela, permanente e cotidiana e cabe a cada um de nós sermos sempre críticos e permanentemente autocríticos em tudo o que fazemos e agimos pra podermos dar o melhor possível nessa luta! Toda pedra atirada contra o sistema tem seu valor, mas temos que trabalhar pensando na perspectiva de acumular pedras para derrubá-lo de uma vez! A revolução não é um conto de fadas construídas com palavras bonitas dos livros de teoria, mas com a prática da luta em nossas vidas e da organização de todos aqueles que são oprimidos de alguma forma! Quando todas estas pessoas adquirem consciência sobre a necessidade da derrubada deste estado de coisas, e agem unidos e organizadamente, é a Revolução!

A juventude rueira tem um papel importante a dar, por que essa juventude é a camada insatisfeita e combativa, de vanguarda da juventude e a ela cabe agir e atuar no sentido de construir unidade entre os garotos rebeldes, entre as culturas de rua e entre as mais diversas subculturas! A essa juventude, cabe sobretudo o exemplo! È importante sim, pensar do ponto de vista da Rua, no cotidiano simples da classe trabalhadora ou desempregada, manter elevado o seu orgulho pelas coisas cotidianas que só nós gostamos e mantemos, mas aprender, mais que nunca, a ver estes valores como parte desse grande processo de mudança em nossa sociedade, por que o OI! é a cultura da juventude ativa, ela não é uma simples homenagem às coisas que cercam e fazem essa juventude rebelde se sentir unida e guerreira, mas também a filosofia dos que querem tornar realidade cotidianamente, a partir de suas próprias mãos, a atitude da rebeldia, da unidade e da igualdade!

Essa luta implica em ser ativo, consciente sobre tudo que nos cerca, enfim, politizados sobre que maneira podemos iTnterferir pra mudar este mundo que está aí. A juventude rueira quer reclamar e brindar pelos seus prazeres e broncas, ou ela quer ser parte também da força que vai tornar esse mundo, a começar de sua cena, rua, bairro, cidade, um lugar melhor?

Então é isso...
Solidariedade, vida simples, vida longa... Oi!

Um comentário:

Camilo disse...

Ei... legal essa entevista, hem Compas? Eu é que agradeço!
e agora...
que tal dar uma atualizada nesse blog???

Camilo SUBVERSIVO Maia