Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A cena argentina

Em julho de 2007, em uma viagem a Buenos Aires, fizemos amizade com um grupo de skinheads e punks antifascistas da cidade. Andando pelas calles porteñas descobrimos por acaso uma loja de CD´s, DVD´s, camisetas e moletons de bandas punks, Oi! e SKA. O dono da loja chama-se Checho - o qual depois viemos a descobrir ser o vocal da banda Scarponi - que nos recebeu muito bem em sua loja, onde passamos horas conversando e na despedida daquele dia, Checho nos convidou para um futebol antifa no domingo em um parque da região. Aceitamos o convite e depois do futebol podemos dizer que fizemos grandes amigos.

Aproveitando então a amizade com esse grupo de hermanos gente boa, pedimos ao Checho que nos auxiliasse com a elaboração de uma resenha da cena Punk e Skin antifascista em Buenos Aires.

Camorra Oi!, banda anfifascista de Buenos Aires.

Checho nos conta que Buenos Aires tem uma cena antifascista desde o começo dos anos 80, com a aparição de bandas punks em pleno governo militar (1976-1982). No ano de 1978, um grupo punk chamado Los Testículos começam a ensaiar e compor as primeiras canções contra esse governo militar. Em 1980 temos a primeira apresentação de Los Violadores, que seria o grupo mais famoso da história da cena punk da Argentina.

Nesses primeiros anos o movimento punk era uma manifestação anti-social e os punks eram perseguidos pelas ruas, um punk saia de sua casa e em 5 minutos ele estava detido em uma delegacia, apenas por estar vestido com um visual punk. Assim foram os anos 80 até quase 1987. Nesse momento surge uma banda de punk callejero chamada Comando Suicida, que edita um vinil 7” com o título “al Knock Out” e nesta primeira fase a banda não faz nenhuma referência a nada político, além das letras de classe trabalhadora e contra a burguesia, porém no final de 87 começo de 88 a banda troca de postura e começa a escrever canções contra os hippies e os punks, tornando seu discurso voltando para o nacionalismo e a xenofobia. É nesse momento que os punks e os heavy metals de Buenos Aires se organizam e começam os confrontos nas ruas, contra os boneheads seguidores de Comando Suicida.

Los Aggrotones: skinhead reggae porteño.

No final da década de 80 começa a surgir a cena hardcore, onde participaram as bandas de punk rock e também novas bandas do estilo Hardcore New York, com canções contra o Estado, a igreja e os militares. Os boneheads começam com um partido político e vão aos shows de hardcore para fazer lavagem cerebral (1990 e 1993). Nos shows de hardcore acontecem atos de violência entre boneheads e punks/skaters. Já em 1993 os neo-nazis são expulsos do shows de hardcore e então, em 1994, inicia-se uma nova cena de Hardcore Buenos Aires, nas mãos de bandas como 720º, xAUTOCONTROLx, Otra Salida, Fuerza y Decisión, e algumas mais, que difundem um ideal antifascista e libertário em suas letras e músicas.

Sombrero Club

Também em 1995 surge o primeiro fanzine SHARP chamado “Golpe Justo”, logo apareceriam “Skinheads Days” e alguns mais de SKA como o “Mr. Rude”, os fanzines punk e hardcore ajudam a difundir o antifascismo e os boneheads já não aparecem mais nos shows. Nestes anos ocorreram ataques contra a sede do Partido Nacional Socialista que foi incendiada e depois eles reabrem, em um parque onde há mais postos de venda de CD´s e livros. No final dos anos 90 surge a Anti Racist Action (A.R.A.) que começa a se difundir através de flyers e fanzines. Esse coletivo funciona durante algum tempo e logo se dissolve. Também surge uma banda de Ska 2 tone chamada Sombrero Club, a qual segue tocando até os dias de hoje. No ano de 2001 surge a Accion AntiFascista, organizando shows de punk hardcore e difundindo a localização e fotos de neo-nazis, também produzindo alguns incidentes nas ruas da cidade. Em 2003 ocorre o “Encuentro Antifascista del Cono Sur”, com debates de temas relacionados ao antifascismo militante, repressão do Estado, ditaduras militares, etc.

Scarponi

É neste mesmo ano em 2003 que surge uma banda Oi! ao estilo das bandas inglesas dos anos 70, chamada Scarponi e começa a convocar os skinheads antifascistas, os seus shows são com bandas de punk rock e hardcore, em 2005 surge Tango 14, outra banda de Oi! / 77 e vão aparecendo mais bandas de Ska 2 Tone como Staya Staya, todas essas bandas tem letras sobre a classe trabalhadora e situações da vida cotidiana. Outra banda de Oi! que participou de vários shows mas logo se separa é Espiritu Callejero, também Duros de Aprender. No ano de 2008 apareceram mais bandas de Skinhead Reggae como Los Agrotones, The Diega and the No Vocals, The Crabs Corporation e Lord Fayah. Na cena Oi! apareceram Camorra oi!, Gritando Realidades e Las Putas de San Julian. Nesses últimos anos ocorreram shows em bairros onde se sabe da existência de boneheads, mas que não apareceram nos shows, pois a cena antifascista vai ganhando espaço nas ruas da cidade de Buenos Aires.

Tango 14

E a cena antifascista se difunde para a periferia de Buenos Aires. Até o momento já foram organizados seis festivais antifascistas, os últimos dois festivais tiveram mais de 600 pessoas e em 2009 foi organizado um festival comemorando os 40 anos do movimento skinhead, no qual participaram 300 pessoas.

Algumas outras bandas que costumam participar dos festivais antifascistas são Rescatate (Ragamuffin), Comuna 4 (Hip Hop), 90 Raices (Hardcore), Ajuste de Cuentas (Punk Rock) e várias mais de crust e rock´n roll. Fanzines relativos a essa cena são: Recuerda tu Raices, La Fuerza de Los Abajos, Golpe Justo, Alegria Rebelde, En La Cancha se Ven Los Pingos, Heroes de Los Sabados, Volver a Creer e Natural Mystic. Todos esses shows foram feitos em praças ao ar livre ou squats. Pode se dizer que a cena antifascista está dando seus primeiros passos nesses últimos 10 anos e que ano após ano, vão acontecendo mais fatos que escrevem a história dessa cena ideológica e musical.

Finalizamos aqui a conversa com Checho, onde foi possível ter uma boa noção de como estão as coisas na cidade de Buenos Aires. As dificuldades são as mesmas que temos no Brasil, mas fica claro que os que pensam da mesma maneira devem estar unidos e não “rachados” porra acontece as vezes conosco... o nosso inimigo é bem maior.

Muchas gracias y saludos a nuestro hermano Checho, de Scarponi. Oi!

Nenhum comentário: