Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Transporte Público?


O prefeito da cidade de São Paulo/SP (Kassab/DEM), aproveitou-se do período de férias escolares e da euforia da população com as festas de fim de ano e anunciou de forma bem “sucinta” o aumento da passagem de ônibus da cidade. Muitas pessoas que entravam no ônibus na cidade de São Paulo na segunda-feira do dia 04/01/10 foram surpreendidas com um reajuste de 17,39% no preço da passagem (aumento de R$ 2,30 para R$ 2,70).

Esse reajuste é superior ao da inflação do período – novembro/2006 (quando ocorreu o último aumento da tarifa) à dezembro/2009 – que foi de 15% se calculado pelo IPCA e 16,5% se calculado pelo IPC (Fonte: site do IBGE).

Com esse aumento na tarifa do ônibus, o valor da integração “Ônibus + Metrô” também subiu, passando para R$ 4,00 cada integração. Sendo assim, numa conta rápida, um morador da capital de São Paulo que trabalha em média 26 dias por mês (4 folgas no mês) e depende de ônibus e metrô para chegar ao trabalho (R$ 8,00/dia), teria um gasto de aproximadamente R$ 208,00/mês. Isso representa mais de 40% do salário mínimo. Quase metade do seu salário é destinado ao gasto com transporte público.

Temos muitas notícias na mídia escrita divulgando esses dados e não queremos ser apenas mais um ponto da mesma notícia, mas gostaríamos de abrir os olhos dos que acompanham nossos textos, para que enxerguem que esse problema mais do que nunca também é seu. Os coletivos / partidos políticos e movimentos sociais estão articulados e organizados. Organizaram passeatas e levaram manifestantes insatisfeitos às ruas, que foram recebidos por policiais de forma covarde, fazendo muito bem o papel deles, agir com violência, o que serve para mostrar a postura truculenta do governo tucano em relação aos movimentos sociais. Então se organize também e questione. Por que questionar? Veja abaixo...

A nossa tarifa é a mais cara do país, financiada não pelos empresários que se beneficiam do transporte público (os empresários de vários setores é que deveriam pagar por ele, pois lucram com a mão-de-obra do trabalhador) e sim pelos trabalhadores que utilizam o serviço. O transporte público não é e não deve ser administrado como um negócio rentável, como uma mercadoria, mas sim como um serviço obrigatório à população, um direito fundamental – por ser essencial - que deveria ser gratuito, financiado pela grandiosa arrecadação de impostos. Dentro desse maravilhoso e democrático sistema capitalista hoje implantado, se o Estado tivesse um mínimo de seriedade, deveria atender às necessidades básicas da população, onde o setor privado não chega e não está interessado em chegar. Mas não, o governo que trata a população como “clientes” e beneficia os empresários, permite o aumento abusivo da tarifa, sem que nenhuma melhora na frota, estrutura, pontos de ônibus, terminais, ocorra. Por que pagamos tão caro por um serviço público? Imagine se tivéssemos catracas nas escolas públicas e nos hospitais públicos?

O bilhete único que foi apresentado como sendo vantajoso e com uma série de benefícios ao trabalhador, está cada vez menos flexível, servindo claramente apenas para antecipar e reter o dinheiro na mão dos empresários. Em 2007 os usuários do transporte público, foram surpreendidos com as TV´s instaladas dentro dos ônibus. Apresentando uma programação vergonhosa e servindo como mais um meio de propaganda, visando somente os interesses privados. Não somos obrigados a assistir resumos de novelas globais, horóscopos e dicas de autoajuda que levam “do nada” a “lugar nenhum”. E o pior, certamente esses aparelhos de TV e todo o seu sistema de transmissão, são financiados pelo preço da passagem. Não queremos ver “Malhação” e nem “Ana Maria Braga” nos ônibus, mas sim transporte público decente para o trabalhador.

Certamente com cada aumento de tarifa desse, a mobilidade de muita gente é reduzida, pois pessoas deixam de se locomover por não poderem pagar pelo transporte público, limitando-se ao máximo ao percurso do trabalho e eliminando qualquer gasto de passagem para lazer, estudo, entrevista de emprego, etc.

Outro ponto que não pode ser esquecido é o da cidade que privilegia o transporte particular como meio de prestigio social numa sociedade de classes e instrumento de violência. O governo direcionando dinheiro para a construção de marginais e rodovias, obras para a Copa de 2014 já estão em andamento, tudo para suportar e garantir o acesso dos milhares de visitantes do mundo todo.

E o trabalhador, que não percebe nenhuma melhora em relação ao aumento da frota? E o trabalhador que não tem condições de obter e manter um carro particular? Mas toda essa questão dos “benefícios” gerado para o aumento da frota de carros particulares numa cidade que necessita de melhoras urgente no transporte coletivo/privado, pode ser melhor abordada futuramente em um outro texto.

Um comentário:

Gil disse...

Estava falando com um chegado do trabalho que já trampou como cobrador de lotação. Na lotação (ou microonibus como preferirem) na época dele o cobrador tirava 15 reais por dia e o motorista 40, de lucro um linha só dava de 300 a 400 conto por dia. Enquanto quem precisa do transporte só se fode os donos de empresa tão lucrando um monte. Kassab safado, sem falar nas enchentes..