Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

RASH SP - 8 Anos de Existência

Agora no mês de abril, a RASH SP completa 8 anos de existência. Estamos nos organizando para efetuar um evento de comemoração, que certamente ocorrerá no mês do aniversário, mas até lá, gostaríamos de distribuir materiais e textos a respeito.

Não estamos completando apenas 8 anos de existência, mas o mais importante, 8 anos de resistência. Temos motivos para comemorar, pois dentro do cenário que temos em São Paulo/SP e no Brasil como um todo, um grupo de skinheads anarquistas e comunistas resistir (e combater) à mídia sensacionalista, que jamais, em hipótese alguma, publicou qualquer comentário verdadeiro à respeito de nossa cultura, muito pelo contrário, publicam apenas informações falsas ao respeito do movimento skinhead, resistir aos grupos de imbecis (denominados gangues) que estão nas ruas aplicando atos de covardia, intolerância e pura violência (usando e manchando o nome da contracultura skinhead e punk), são motivos mais que válidos para comemorarmos e seguirmos em frente.


E para começar, vamos "postar" abaixo um relato feito por um dos principais fundadores do coletivo RASH-SP. Anderson (nome fictício) nos contará como tomou conhecimento da existência de skinheads ligados à política, a idéia de criar um coletivo desse tipo em São Paulo/SP, os passos dados para se tornar uma seção oficial, etc. A qualidade do coletivo mudou muito, está melhor certamente, sabemos que naquela época, no início, não havia uma “clareza ideológica”, pois mesmo sabendo da existência de skins antifas, ainda eram confusas as idéias, coisa que hoje já não passamos mais por isso. O que percebemos ao fim do “depoimento”, é que alguns problemas ainda são os mesmos, novos problemas apareceram, que os idiotas ainda insistem em mostrar as caras, por outro lado, está claro para nós do coletivo, que dentro do cenário punk/skin, muita gente sabe diferenciar um skin antifascista de um careca ou de um nazi, o chavão de que “todo skin é nazi”, já mudou um pouco e não é mais usado da mesma forma como anteriormente, já começa a cair em desuso e negar que essas pequenas mudanças não são frutos do trabalho do coletivo RASH SP, coletivos aliados, Punks Antifas, RASH´s e SHARP´s espalhados pelo Brasil, seria negar o óbvio, pois que outros grupos buscariam essa mudança? Hippies que se intitulam anarquistas, mas que apenas espalham fofocas e pilantragens por aí? Que não abrem os olhos e a mente para analisar os fatos? Nacionalistas que dizem lutar pela tal “pátria mãe”, sendo que o que vemos são apenas atos de violência e intolerância contra homossexuais e adolescentes? Ou os idiotas que desfilam pelas ruas com propaganda nazista, mas que não passam de um bando de playboy sem nada na cabeça? Não! Por que essa luta é nossa! Acompanhem o relato:

Ano de 2002 e a cultura skinhead no Brasil era massacrada pela mídia, imprensa e demais desinformados. O movimento ainda vivia nas desavenças dos anos 80 e só impedia que a cultura em geral realmente mostrasse sua cara. O estereótipo dos skins ainda eram os nazis e carecas, deturpando a nossa imagem, trazendo dificuldades para algo novo e diferente que chegasse. Enquanto isso na Europa e até mesmo na América, nossos vizinhos, verdadeiros skinheads já entravam em confronto com os boneheads. Podemos dizer que SHARP´s e RASH´s já tocavam terror entre os fachos. Sendo que aqui no Brasil não se ouvia falar de RASH. Como muitos já deviam ter a mesma idéia e pensamento de ver uma verdadeira cultura surgir, parti para a Itália para ver de perto o que realmente rolava na cena daquelas bandas. Deparei-me com algo totalmente novo e fora da minha realidade.


Muitos já haviam conhecido aquilo, mas faltava colocar na prática no nosso país, e agitar quem há muitos esperava um sinal para mudar as coisas. Foi então que entre abril e julho de 2002 se não me engano, que começamos a primeira ação antifascista de skinheads. A RASH São Paulo/SP, com apenas 4 integrantes, sendo uma garota e três rapazes.


Nosso primeiro fanzine (Resistência Vermelha) ficou na primeira edição apenas. Mas correu pelo Brasil e América. Também se não me engano foi lançado uma edição do zine Diesel Skingirl, um fanzine feito só por meninas, que inclusive vieram a participar da RASH-SP. Tínhamos dado os primeiros passos, então era basicamente entrar nos moldes e manter contato com quem estivesse interessado.Tínhamos textos em páginas punks que abriam seus espaços.

Como todo começo é complicado e difícil, entre brigas, ajustes, idéias e tantos que entraram e saíram, a própria peneira se fez deixando os mais persistentes na idéia, entre ameaças e desconfianças ganhamos nosso espaço e fomos reconhecidos mundialmente, nos tornando a primeira seção-oficial no Brasil.


Muitos punks ouviam aquela história de skinheads de esquerda com muita desconfiança. Muitos entravam em contato querendo saber mais sobre este lance de skins comunistas e anarquistas, como era uma novidade, muitos estudantes de jornalismo e antropologia nos contatavam para entrevistas, alguns Straight Edgers também, talvez por estarem mais por dentro da cena lá fora.



O problema mesmo era a desconfiança dos punks, mas que aos poucos foram se achegando cada vez mais e abraçando esta idéia. Não todos logicamente. Para a alegria de uns e raiva de outros. Os carecas em geral odiavam e ameaçavam, mas que no fim nunca nos encontramos. Acho que precisávamos de algo novo aqui, algo que agitasse esta rapaziada afim de por pra fora aquele grito Oi! bem forte que há muito tempo estava guardado. Dai por diante muitos se disseram Street e se viam punks e skins juntos, nem sempre, mas havia alguns poucos. Aquelas fitas de Oi! foram saindo das casas e passando de mãos em mãos, e ai se deu espaço para novos sons e novas bandas.


Voltando para aquela viagem que fiz na época, posso dizer que trago saudades comigo até hoje, pois a cultura skin na Europa é muito rica, é vista de uma outra forma, as pessoas conhecem os skins antifascistas, sabem diferenciar um skinhead de um bonehead. Todos se reúnem em um bairro vermelho, onde todas as tribos se comportam bem. É claro, fora os nazis, não há espaço para eles. As gigs são tranquilas, quase todas sem problema algum, tirando os beberrões e briguentos (coisas de skin). Muitas coisas acontecem em prédios e squats invadidos, que reúnem e abrigam punks, skins, ativistas e por aí vai, rola uma harmonia legal. Muitos SHARP´s, RASH´s e Tradicionais também, dependendo da cidade.


Não faço mais parte do coletivo há alguns anos, porém acompanho a atividade da RASH SP e sou amigo da maioria dos membros, amigo de verdade. Fico feliz com o trabalho de todos, o empenho e força de vontade para superar as dificuldades (que são muitas), faço votos que não desanimem, nunca, pois enquanto houver vida, haverá um motivo pra lutar... O movimento skinhead é muito rico, musicalmente, politicamente, no seu estereotipo e ate mesmo como um estilo de vida, então vejo que skins como os que temos na RASH SP, são os responsáveis por manterem a chama viva.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cartazes para Divulgação / Colagem

Imprima sua cópia para colagem e/ou divulgação.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Boletim Janeiro / Fevereiro 2010

Clique aqui para baixar o seu exemplar do boletim "Quebrando o Silêncio" de janeiro/fevereiro de 2010.

Lugar de mulher é na luta... e nos estádios!

O futebol é, culturalmente, paixão nacional ao redor do mundo e, no Brasil, não seria diferente. São poucos os homens que não têm um time do coração e que o acompanham desde a infância, brigando por ele desde então. Porém, e quanto às mulheres? Onde estamos quando o assunto é futebol?

Desde criança somos direcionadas a esportes, jogos e brincadeiras tidas como femininas, enquanto que nossos irmãos, primos e pais são quase que 100% voltados ao futebol. Porém, algumas de nós começam a sentir gosto pelo esporte, por um time, seja pra jogar, pra assistir pela televisão ou até mesmo, estar nas arquibancadas.

Tradicionalmente, a mulher, no Brasil, ainda é vítima de preconceito de gênero diariamente, no trabalho, dentro de campo (basta comparar os salários astronômicos pagos aos jogadores e a “ajuda de custo” destinada às jogadoras) e, também, nas arquibancadas.

O que vemos hoje no futebol masculino é a capitalização dos jogadores em suas transações com foco estritamente pecuniário, deixando de lado o futebol, o torcedor, se tornando um negócio, um mercado financeiro. Quanto ao futebol feminino, vemos jogadoras que ganham mal (em relação aos homens) e que, com certeza, não têm a mesma visibilidade que os jogadores “astros”. Mas, ainda assim, jogam com força, vontade, independentes do dinheiro e fama.

[Manifestação da torcida Ultras Resistência Coral , do Ferroviário Atlético Clube]

As arquibancadas são, ainda hoje, quase que em tua totalidade preenchidas por homens, porém, vemos alguns rostos femininos no meio da multidão. E cada vez mais essas mulheres não estão lá apenas para acompanhar o marido, o pai ou o filho, mas sim, porque elas querem torcer e apoiar o time do coração, elas gostam de futebol.

É nessa hora que os machistas de plantão, vêm com o discurso pronto de que mulheres não entendem de futebol, temos credibilidade zero nesse assunto (aqui entra aquela piadinha machista: “o que é impedimento?”). Mas me pergunto, o que é “entender de futebol”? Se for sentar diariamente em frente à TV e assistir a todos os programas a La mesa redonda, com discussões sobre lances polêmicos, penalidades mal marcadas, árbitros ruins e estratégias furadas, realmente, não são todas de nós que se interessa por isso. Assim como muitos homens também não se interessam, mas têm a obrigatoriedade de se manter em dia com esse tipo de programa, pois não querem passar por “desentendido” perante outros machsitas.

No entanto, entender futebol vai além de sentar no sofá, criticar a arbitragem, o treinador, depois zapear pelos canais, pegando opiniões furadas, e no dia seguinte defendê-las nas rodas de amigos; e vai além, também, de definições técnicas (impedimento: o jogador se encontra mais próximo da linha de meta contrária que a bola e o penúltimo adversário). Entender é comparecer. Ir aos jogos, torcer, apoiar o time, xingar o juiz, vibrar, levantar a bandeira, honrar a camisa!. Isso, devo lhes dizer, nós mulheres temos no sangue. Que venham as arquibancadas, pois lugar de mulher é na luta... e no futebol!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Não Derramamos Sangue... DOAMOS!


Aproveitando a baixa nos estoques de sangue dos Hemocentros de São Paulo e, também, a baixa moral que nós, skins e punks, temos, o coletivo RASH SP convoca voluntários para doação em massa.

Com esse simples ato de solidariedade que pode salvar vidas, demonstramos que não somos uma gangue e sim um movimento organizado que pensa, e muito, no próximo.

Para informações sobre ponto de encontro, horário e etc. favor entrar em contato com o coletivo através do e-mail contatorashsp@yahoo.com.br.

(agradecemos ao amigo Igor, do blog Coleta Seletiva, pela colaboração com o flyer)

REQUISITOS PARA DOAÇÃO DE SANGUE:

- Você deve ter mais de 18 e menos de 60 anos;
- Seu peso deve ser superior a 50 kg;
- Se homem, deve ter doado há mais de 60 dias;
- Se mulher deve ter doado há mais de 90 dias; não estar grávida; não estar amamentando; já terem se passado pelo menos 3 meses de parto ou aborto;
- Se você não teve Hepatite após os 10 anos de idade;
- Se você não teve contato com o inseto barbeiro, transmissor da Doença de Chagas;
- Se você não teve malária ou esteve em região de malária nos últimos 6 meses;
- Se você não sofre de Epilepsia;
- Se você não tem ou teve Sífilis;
- Se você não é diabético;
- Se você não recebeu transfusão de sangue ou hemoderivados nos últimos 10 anos;
- Se você não ingerir bebidas alcoólicas nas 24hs que antecedem a doação;
- Se você estiver alimentado e com intervalo mínimo de 2 horas do almoço;
- Se você dormiu pelo menos 6 horas nas 24hs que antecedem a doação;
- Se você não se expõe ao risco de contrair o vírus da AIDS, tendo comportamentos como:
* não usar preservativos em relações sexuais;
* usar drogas injetáveis.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Resenha: II Festival Antifascista

Aconteceu no último sábado (30/1) a segunda edição do Festival Antifascista SP, evento que trouxe o tema "Rock Contra o Capitalismo". A escolha desse tema já foi explicada no post de divulgação do som e no post abaixo.

Continuamos a perceber a presença de novas pessoas em nossos eventos, o que é muito bom, prova que estamos conseguindo trazer mais gente para conhecer e compartilhar de nossas idéias.

A quantidade de participantes no geral foi muito boa. Uma junção de amigos, camaradas, pessoas que foram para ver as bandas, que foram pra tomar uma cerveja e ouvir um som e pessoas que foram pra fazer tudo isso, mas além disso, conhecer o trabalho da RASH.


E por falar em bandas, vamos aos amigos que fizeram com que o evento de fato ocorresse. De acordo com o flyer de divulgação, tivemos quatro bandas se apresentando: Insurgentes, Drullis, KOB 82 e Última Classe, respectivamente.

A primeira banda, aqui de São Paulo/SP, já havia se apresentado em um evento da RASH-SP, há uns 3 anos atrás. Pegaram o pessoal de surpresa, com o marasmo do início do festival, mas logo fizeram o pessoal pogar, com composições próprias, como Dia de Clássico e Ditadura do Proletariado, onde também alguns convers, entre eles Social Distorcion, Blitz e Cock Sparrer.


Na sequência tivemos a banda Drullis, pessoal que veio de Mogi das Cruzes/SP, enfrentando transporte coletivo (trem, metrô e busão) e carregando instrumentos, para participarem do nosso festival, apenas em troca da camaradagem. Aproveitamos primeiramente para agradecê-los novamente e que essa não seja a primeira e única participação em nossos eventos. Falando do show, apresentaram tanto músicas próprias (Mentes Assassinas, Pense em Você, Falsos Heróis, entre outras, como o cover do Varukers (Protest to Survive).


Aproveitamos o intervalo entre uma música e outra da banda para reforçar a idéia do tema do festival, pois como já dito anteriormente, o antifascismo por si só não basta, pois se não for acompanhado de uma consciencia anticapitalista, chega mesmo a ser estéril, já que o capitalismo necessita do fascismo, seja para o controle das classes exploradas, seja como salvaguarda de seu sistema contraditório movido a crises. Se assumir antifascista é mais do que combater "WP´s" e nacionalistas nas ruas. Indo apenas por esse lado, cairemos no ganguismo (da mesma forma que esses grupos agem) e a RASH-SP está longe de ser uma gangue.


Enfatizamos que estando em nossos festivais ou nos dos outros coletivos organizadores, não se prendam apenas à musica e à cerveja, mas lembrem-se de que há um motivo concreto para aquele evento, há um motivo que vai além da diversão e confraternização. Faça contatos, troque idéias, tire dúvidas, enfim, estreite as relações.

A terceira banda a se apresentar, foi o KOB 82 (São Paulo/SP), banda que ainda não havia participado de um evento da RASH SP. A banda que faz um hardcore 80´s, apresentou músicas próprias, como Mate-Ratos, Sem Futuro e Raiva, mas também tocou alguns covers: Decapitated (Broken Bones), SexKomplex (Asta Kask), State Violence, State Control (Discharge) e Hipócrita (Ulster).


E a última banda do dia foi a Última Classe, banda de Santos/SP, que já disponibilizamos sua demo aqui no blog e participou do último Festival da RASH São Paulo.



Podemos dizer que tudo ocorreu como previsto. Gostaríamos de agradecer às bandas que participaram, aos outros coletivos que organizaram o evento e principalmente às pessoas que compareceram, contribuíram (também aos que não foram mas também contribuiram).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Desastres Naturais" x Capitalismo

Nos últimos dias, a população de São Paulo e do Rio de Janeiro, têm sofrido com as fortes chuvas de verão. No Haiti, são mais de 160 mil mortos e milhões de desabrigados, esse é o saldo de um terremoto que devastou um país já completamente carente. São os chamados "desastres naturais", porém sabemos que o sistema capitalista faz com que esses desastres tomem proporções maiores.Esses acontecimentos naturais podem não ter o “dedo” direto do homem, mas é nítido perceber que só chegam a essas proporções catastróficas porque são resultado de uma opção de desenvolvimento que não leva em conta questões que vão além do crescimento econômico, refletindo no “(des)planejamento” urbano.

Se essa opção de desenvolvimento predatório não é privilégio do capitalismo – considerando que o dito socialismo real do séc. XX foi tão ou mais ambientalmente catastrófico - o que estamos vendo na nossa cidade nos últimos dias tem tudo a ver com o sistema capitalista, uma vez que são os pobres as grandes vítimas dos dilúvios diários desse verão de 2010. Além de evidenciar a falta de lugar aos que formam a grande base da pirâmide social, as inundações ainda servem de instrumento para que o poder do Estado - representante dos grandes interesses econômicos - desloque essas populações pra espaços mais distantes do centro. O planejamento urbano tem tudo a ver com o desenvolvimento de uma sociedade, assim como as tragédias das últimas semanas. Sem falarmos do dinheiro que o governo destina às vítimas 2 dessas enchentes que, certamente, são valores inferiores a qualquer financiamento de obras privadas ou até mesmo obras para a Copa de 2014.

Já no Haiti, o que para alguns parece ajuda humanitária da ONU e companhia limitada, não passa na verdade de mais uma oportunidade para os capitalistas – empresários, EUA e até o próprio Brasil com suas tropas do exército – aumentarem e concentrarem riqueza. Para os EUA, o que eles chamam de “ajudar na recuperação do país”, nós entendemos como oportunidade de trazer mais liberdade para as empresas privadas, obter lucros, dominar recursos naturais, privatização de empresas públicas e participação na criação de políticas que beneficiem a mobilidade dos EUA internamente.

Somos contra as tropas militares no país, sejam elas brasileiras, americanas ou francesas, pois além das denúncias de violação dos direitos humanos, isso nos lembra algo muito semelhante ao que ocorreu no Iraque: uma colonização. Sem falar nos possíveis planos para vigiarem a costa do país, com intenção de evitar uma fuga em massa de haitianos para os Estados Unidos.



O Brasil tem demonstrado um interesse admirável em resolver - com suas tropas de militares –
problemas de segurança no Haiti, problemas tão evidentes como os que já temos por aqui e que não são resolvidos. Pois bem, algum interesse existe para termos soldados brasileiros sorrindo para as câmeras globais e “jogo de paz” da seleção brasileira no Haiti. Então essa ajuda humanitária brasileira não passa de interesse em estar presente definitivamente no Conselho de Segurança da ONU.

Como já foi dito, onde uma parte enxerga uma enorme tragédia, os capitalistas são capazes de friamente enxergar oportunidades para obterem lucros. Como? Com suas empresas “oferecendo” à população serviços que hoje estão em falta, “oferecendo” a reconstrução de prédios, escolas, hospitais a juros altíssimos.

Resumindo, os acontecimentos ditos naturais, somente tomam proporções catastróficas e fazem muito mais vítimas do que em uma situação normal, porque a maioria pobre não está amparada e incluída nos planos de prevenção a desastres naturais, conduzidos pela minoria que detém o capital, por que não há investimentos em infra-estrutura. Pessoas constroem em áreas de risco, pois foi o que sobrou na “justa” distribuição de terra do sistema que visa enriquecer cada vez mais os mais ricos e deixar os mais pobres cada vez mais submissos às suas condições. O Haiti é um dos países mais pobres da América, pois convêm aos seus colonizadores que assim seja. O país, vítima de cruéis processos de colonização européia, que nunca foram inteiramente interrompidos, não parece ter alcançado sua independência política e é tratado como propriedade dos Estados Unidos.

O recado aos reacionários que vão ler esse texto e dizer que nós, e mais milhões de pessoas que dividem da mesma opinião, não estamos nos importando com a comoção mundial que uma tragédia como essa causa, é que nos importamos sim, porém tudo isso tem um único motivo: o interesse de uma minoria, sempre! E negar isso com a 3 justificativa de que estão recebendo ajuda do mundo inteiro ou questionando o que nós estamos fazendo por eles, é a mesma coisa que concordar com um jargão há muito tempo conhecido por todos: “Estupra, mas não mata!”.