Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Desastres Naturais" x Capitalismo

Nos últimos dias, a população de São Paulo e do Rio de Janeiro, têm sofrido com as fortes chuvas de verão. No Haiti, são mais de 160 mil mortos e milhões de desabrigados, esse é o saldo de um terremoto que devastou um país já completamente carente. São os chamados "desastres naturais", porém sabemos que o sistema capitalista faz com que esses desastres tomem proporções maiores.Esses acontecimentos naturais podem não ter o “dedo” direto do homem, mas é nítido perceber que só chegam a essas proporções catastróficas porque são resultado de uma opção de desenvolvimento que não leva em conta questões que vão além do crescimento econômico, refletindo no “(des)planejamento” urbano.

Se essa opção de desenvolvimento predatório não é privilégio do capitalismo – considerando que o dito socialismo real do séc. XX foi tão ou mais ambientalmente catastrófico - o que estamos vendo na nossa cidade nos últimos dias tem tudo a ver com o sistema capitalista, uma vez que são os pobres as grandes vítimas dos dilúvios diários desse verão de 2010. Além de evidenciar a falta de lugar aos que formam a grande base da pirâmide social, as inundações ainda servem de instrumento para que o poder do Estado - representante dos grandes interesses econômicos - desloque essas populações pra espaços mais distantes do centro. O planejamento urbano tem tudo a ver com o desenvolvimento de uma sociedade, assim como as tragédias das últimas semanas. Sem falarmos do dinheiro que o governo destina às vítimas 2 dessas enchentes que, certamente, são valores inferiores a qualquer financiamento de obras privadas ou até mesmo obras para a Copa de 2014.

Já no Haiti, o que para alguns parece ajuda humanitária da ONU e companhia limitada, não passa na verdade de mais uma oportunidade para os capitalistas – empresários, EUA e até o próprio Brasil com suas tropas do exército – aumentarem e concentrarem riqueza. Para os EUA, o que eles chamam de “ajudar na recuperação do país”, nós entendemos como oportunidade de trazer mais liberdade para as empresas privadas, obter lucros, dominar recursos naturais, privatização de empresas públicas e participação na criação de políticas que beneficiem a mobilidade dos EUA internamente.

Somos contra as tropas militares no país, sejam elas brasileiras, americanas ou francesas, pois além das denúncias de violação dos direitos humanos, isso nos lembra algo muito semelhante ao que ocorreu no Iraque: uma colonização. Sem falar nos possíveis planos para vigiarem a costa do país, com intenção de evitar uma fuga em massa de haitianos para os Estados Unidos.



O Brasil tem demonstrado um interesse admirável em resolver - com suas tropas de militares –
problemas de segurança no Haiti, problemas tão evidentes como os que já temos por aqui e que não são resolvidos. Pois bem, algum interesse existe para termos soldados brasileiros sorrindo para as câmeras globais e “jogo de paz” da seleção brasileira no Haiti. Então essa ajuda humanitária brasileira não passa de interesse em estar presente definitivamente no Conselho de Segurança da ONU.

Como já foi dito, onde uma parte enxerga uma enorme tragédia, os capitalistas são capazes de friamente enxergar oportunidades para obterem lucros. Como? Com suas empresas “oferecendo” à população serviços que hoje estão em falta, “oferecendo” a reconstrução de prédios, escolas, hospitais a juros altíssimos.

Resumindo, os acontecimentos ditos naturais, somente tomam proporções catastróficas e fazem muito mais vítimas do que em uma situação normal, porque a maioria pobre não está amparada e incluída nos planos de prevenção a desastres naturais, conduzidos pela minoria que detém o capital, por que não há investimentos em infra-estrutura. Pessoas constroem em áreas de risco, pois foi o que sobrou na “justa” distribuição de terra do sistema que visa enriquecer cada vez mais os mais ricos e deixar os mais pobres cada vez mais submissos às suas condições. O Haiti é um dos países mais pobres da América, pois convêm aos seus colonizadores que assim seja. O país, vítima de cruéis processos de colonização européia, que nunca foram inteiramente interrompidos, não parece ter alcançado sua independência política e é tratado como propriedade dos Estados Unidos.

O recado aos reacionários que vão ler esse texto e dizer que nós, e mais milhões de pessoas que dividem da mesma opinião, não estamos nos importando com a comoção mundial que uma tragédia como essa causa, é que nos importamos sim, porém tudo isso tem um único motivo: o interesse de uma minoria, sempre! E negar isso com a 3 justificativa de que estão recebendo ajuda do mundo inteiro ou questionando o que nós estamos fazendo por eles, é a mesma coisa que concordar com um jargão há muito tempo conhecido por todos: “Estupra, mas não mata!”.

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