Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paki Bashing



Tradução da canção Skinhead a Bash Them:
"...Skinheads falam paquistaneses não conseguem “reggae” / Skinheads falam paquistaneses não conseguem “jeggae” / Skinheads falam paquistaneses não gastam dinheiro / Skinheads falam paquistaneses não vivem de modo algum / Skinhead surrem eles / Skinhead surrem eles..." "...Skinhead surrem eles / Skinhead surrem eles / Eles estão “autorizados” à surrá-los / Eles estão certos de surrá-los..."

== / ==

O movimento skinhead em seus primórdios na Inglaterra da década de 1960, era multi-étnico, unindo jovens negros e brancos. Este fato, que vai contra a afirmação de que todos os skinheads são racistas, torna-se hoje inegável. Mesmo nossos críticos mais ferrenhos são obrigados a admiti-lo (a contragosto obviamente).

No entanto, ainda que essa união étnica primordial entre negros e brancos seja conhecida de nossos críticos, muitos deles insistem em afirmar que somos todos originalmente e essencialmente xenófobos. Para tanto, baseia-se em um fato relativamente conhecido e verídico: em seus primeiros anos, skins ingleses negros e brancos, hostilizavam a comunidade paquistanesa que vivia naquele país, praticando o chamado “paki bashing”. Em português, “paki bashing” pode ser traduzido para “espancamento do paquistanês” ou coisa parecida. Ou seja, skinheads negros e brancos ingleses atentavam contra os paquistaneses, espancando-os com certa freqüência e nas mais variadas ocasiões.

Para muitos de nossos críticos, o “paki bashing” representaria um forte indício do caráter xenófobo e racista do movimento skinhead original, mesmo a despeito da união entre skins negros e brancos. Sobre esse aspecto da questão, concordamos com alguns pontos e discordamos de outros.

Acreditamos que esse não era um ato que pode ser classificado diretamente como racista. Para isso, estamos nos apoiando na idéia de que como esse era praticado – paki bashing - tanto por brancos e negros, seria uma grande contradição, duas “raças” se unindo para discriminar uma terceira, não? Simplesmente é impossível imaginar que os skinheads dos anos 60 se juntaram, “formaram” uma mesma “raça” e que essa seria superior à “raça” dos paquistaneses. Portanto, não concordamos em classificar o ato simplesmente como racista.

De modo algum negamos que o “paki bashing” era praticado por parte dos skinheads originais ingleses da década de 1960, fossem eles negros ou brancos. Não negamos também que esse tipo de ação poderia conter uma pesada carga de xenofobia – nos posicionaremos a respeito a seguir – mas discordamos firmemente que não de racismo, pelo ponto de vista acima apresentado. Também acreditamos que seja apressado afirmar com veemência que essa prática era uma característica fundamental, essencial ou necessária do movimento skinhead original.

Que esteja claro que não queremos justificar aqui o ato do paki bashing e muito menos defender os skins que o praticavam. Voltamos a dizer: esse é um ato lamentável e completamente desnecessário e desprezível. Porém não se sabe a proporção de skinheads que eram adeptos desta prática estúpida e cruel. Até que se possa determinar de modo incontestável, que a maioria dos skinheads ingleses daquele período praticava o espancamento de paquistaneses, não se pode dizer com exatidão e certeza que essa prática era parte integrante e essencial do movimento skinhead original como um todo. Poderíamos afirmar que esse movimento skinhead original era xenófobo em sua raiz, se ficasse comprovado que apenas uma minoria de seus membros praticava o espancamento de paquistaneses? Obviamente que não. Seria como afirmar que todos os seres humanos foram e são nazistas porque em dado momento de nossa história, uma minoria de habitantes desse planeta defendeu as bandeiras de Adolf Hitler. Generalizações são perigosas e por isso devem ser evitadas se o que se busca é analisar algo com sinceridade, objetividade e seriedade.

E outro ponto de discussão que pode ser levantando, é a classificação do ato puramente como xenofobia, já que os skins da década de 60 eram compostos por brancos ingleses e negros jamaicanos, logo, estrangeiros...


(Trecho do filme This is England)

A verdade é que, nesse momento, não se pode dar por certo que o movimento skinhead original inglês da década de 1960 era por definição xenófobo, só porque um número indefinido e incerto de seus membros, estupidamente e covardemente, espancava paquistaneses. Claro que, anarquistas e comunistas que somos, repudiamos o “paki bashing”, mas não devemos crucificar todos os skinheads pelos erros de alguns. E mesmo que o movimento skinhead original inglês da década de 1960 fosse xenófobo por praticar majoritariamente o “paki bashing”, responderíamos tranqüilamente que não estamos na Inglaterra e muito menos na década de 1960. Conclusão óbvia: não somos skinheads originais ingleses da década de 1960. Se eles eram xenófobos, isso não quer dizer que nós do RASH, que vivemos em 2010, sejamos.

Qual o sentido de nos ver como responsáveis por atos fascistas cometidos há quase 40 anos atrás por cretinos que viviam bem longe daqui? Qual foi a última vez que se noticiou que skinheads originais ou tradicionais espancaram paquistaneses? Provavelmente, isso nem acontece mais. Nem na Inglaterra, nem em qualquer outro lugar. Claro que os white power, bastardos que são, continuam praticando esse tipo de covardia. Mas não seria justo condenar todas as outras correntes skinheads dos dias de hoje, pelos erros cometidos por um número desconhecido de skins originais da década de 1960.

O que deve ficar claro de uma vez por todas é que, de fato, nós do RASH não somos skinheads originais. Portanto, não compartilhamos de todas as suas características. Conscientemente, o movimento RASH abandonou os traços negativos e equivocados do movimento skinhead original, mas seguimos como skins porque mantemos seus traços positivos. Nesse sentido, o RASH seria algo como uma superação ou melhoramento do que fora o movimento original. Podemos ser vistos como skinheads que superaram o apoliticismo, o nacionalismo e outros pontos que classificamos como falhas do movimento skinhead original. Podemos ser vistos como algo já tão diferente do movimento skinhead original que não somos mais apenas skins, mas membros desse novo movimento que é o RASH. De qualquer forma, ficaria difícil sustentar com sinceridade que somos xenófobos, fascistas ou coisas do tipo. Esse é o nosso recado aos que ainda insistem em nos criticar com acusações desse tipo.

3 comentários:

kim Campbell disse...

bom texo!

fredkruuger disse...

Bando de alienados otarios,vcs dizem que defendem a origem do mov skin, mas apoiam o comunismo e o anarquismo que não tem nada haver com a origem do mov.
seus merdas vermelhas !

RASH SP disse...

Caro "Freddy Krueger",

Pelo visto você não foi capaz de interpretar o último parágrafo do texto, então vamos lá...

O coletivo RASH não é APENAS um grupo de skinhead originais. Mantemos e nos orgulhamos das características contidas no surgimento da cultura skinhead: a questão multiétnica da junção dos jovens jamaicanos como os jovens ingleses, onde ambos se reuniram exclusivamente para dançar reggae, ska e soul. Nos orgulhamos e mantemos o amor pelo bairro, pelo futebol e aversão às autoridades por exemplo.

Por outro lado, superamos o apoliticismo e não toleramos qualquer forma de preconceito ou discriminação.

Não sabemos onde mencionamos ou deixamos entender que "defendemos a origem do movimento skin", então, por favoe nos informe... Porém que fique claro, que as idéias anarquistas e comunistas, somente foram inseridas através da RASH na cultura skinhead depois de duas décadas de seu surgimento, portanto, obviamente a RASH no que diz respeito a política, nada tem a ver com os skins originais.

Saludos,

RASH SP