Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Posicionamento RASH SP e a Hipocrisia

Na última segunda-feira (dia 19/04) aconteceu, na Livraria da Vila (Jardins), o lançamento do livro “Cadarços Brancos”, como desconheciamos totalmente o autor, fizemos uma rápida busca na internet e não foi necessário grande esforço pra achar o perfil do mesmo no Youtube, onde havia, entre outras coisas interessantes, declarações de de simpatia a bandas nazis americanas e do Estado Espanhol.

Num outro perfil, este no Orkut, o pseudo historiador do movimento skin declara sua admiração pelas obras de Plinio Salgado e Gustavo Barroso e a aparece em albuns de fotos vestindo camiseta da banda fascista Skrewdriver.

Alguns e-mails de pessoas não relacionadas ao Coletivo RASH-SP foram encaminhados aos organizadores do evento e à Livraria da Vila - tida como politicamente avançada e defensora dos direitos humanos - com alertas sobre possíveis vínculos do autor com grupos de ultradireita. Eis a resposta dos responsáveis pela área de eventos da Livraria da Vila a um desses e-mails:

“Primeiramente, obrigado pelo teu e-mail e preocupação em nos alertar sobre a temática do lançamento em questão. A Livraria da Vila sempre teve como objetivo principal de sua existência fomentar o hábito da leitura em crianças e adultos, através da realização de atividades culturais, educativas e, como você mesmo colocou, democráticas. Tudo isto somado, acreditamos, contribuirá de alguma forma para termos um País melhor, mais culto, em paz.”

“...Entendemos que a proposta esteja dentro do nosso jeito democrático de ser, colocando assuntos de forma aberta, para discussão do público, mas sempre com a preocupação de extrair daquilo algo positivo”.

“Já realizamos, por exemplo, lançamentos de pessoas que tiveram diferentes experiências na vida, como a prostituição e que resolveram abordar aquela experiência de forma aberta, através de um livro. Enxergamos a prostituição, assim como a violência, como um dos grandes problemas do nosso país, que afeta diretamente a qualidade de vida, ensino e saúde da nossa população, mas em momento algum nos colocamos à favor desta prática.”

“Tenha certeza de que continuaremos lutando para a formação de um País de leitores, contribuindo para a melhoria do ensino e tentando fazer deste hábito uma via de saída para crianças e adultos envolvidos com a violência, em suas diferentes formas de expressão”.Cremos que a resposta dada fala por si só. A falta de ligação lógica entre prostituição e ideias de extrema direita é nítida e, portanto, não podemos aceitar tais “explicações” como posicionalmento válido de um estabelecimento que preza tanto pela formação de um “país de leitores”.


Nós, do Coletivo RASH-SP, em 17/04, resolvemos então providenciar um documento formal (clique aqui para ler). Uma vez que nós - assim como o pessoal da Livraria da Vila - desconhecíamos o conteúdo do livro, buscamos basicamente questionar o posicionamento ideológico do autor e uma provável abertura de espaços ditos "democraticos" e destacar a presença de skinheads antirracistas e antifascistas em nossa cidade, tendo sempre em vista, também, os argumentos apresentados pela livraria no e-mail citado. Infelizmente, não obtivemos resposta ao nosso e-mail.

Resolvemos então, comparecer ao Lançamento do Livro e assim, debatermos sobre os pontos que consideramos relevantes. Neste encontro "ao vivo", a Coordenadora de Eventos da Livraria e um senhor que se apresentou como sendo da editora do livro afirmaram que os perfis que o autor possui no Orkut (contendo conversas com integralistas sobre a compra do livro e fotos usando uma camiseta da banda Skrewdriver) e no Youtube (contendo comentários em vídeos de bandas nazistas dos EUA e do Estado Espanhol) eram meios para se “infiltrar” no universo skinhead e, assim, conseguir material para o livro.

Entendemos que uma pesquisa de campo deve sim ser feita, porém, quem se infiltra não mistura a vida pessoal e familiar com a “profissional” (já que 90% das fotos de seu perfil no orkut, são fotos com família e amigo), de modo que não podemos aceitar amizades com grupos de extrema direita de diversos países, como sendo uma mera infiltração. Até porque, o Livro já estava sendo lançado quando os comentários foram deixados nos perfis, comprovando assim uma relação de proximidade entre os envolvidos, mesmo após a dita “pesquisa de campo” ter se encerrado.

Após os e-mails encaminhados por nós, as fotos e comentários dos perfis foram apagados pelo autor, o que mostra a existência de indícios que comprovam nossa argumentação.

Em momento algum, a nossa tentativa de intervenção, recebeu qualquer resposta que se distanciasse do famoso “veja bem”.

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