Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Racismo Dentro de Campo

Nas últimas semanas, novas polêmicas sobre manifestações de racismo no futebol tomaram conta dos jornais.

No Brasil, o zagueiro do Palmeiras, Danilo, xingou Manoel, jogador do Atlético-PR de “macaco” em discussão durante uma partida. Após o jogo, a direção do Atlético-PR entrou com uma queixa-crime contra Danilo, o que rendeu um inquérito de injúria qualificada com emprego de racismo.Não vamos aqui entrar no mérito de que o time ao qual Danilo pertence, tem uma torcida organizada assumidamente fascista (Núcleo 1914’), bem como seu atual técnico, Antônio Carlos, ainda quando era zagueiro do Juventude, foi suspenso por dar uma cotovelada em Jeovâncio do Grêmio e ao sair de campo, esfregou os dedos no braço, para indicar a cor da pele do gremista.

Outros casos também recentes, não podem ser esquecidos, como no jogo entre São Paulo e Quilmes no Morumbi, onde Grafite, então na época, jogador do São Paulo, afirma que Desábato do Quilmes o chamou de “macaco”. No Brasileiro de 2005, toda vez que Tinga, jogador do Internacional pegava na bola, no duelo contra o Juventude, a torcida alviverde imitava o som de macaco. E mais, Elicarlos do Cruzeiro, acusou o atacante Maxi Lopez, do Grêmio, de chamá-lo de “macaco” em 2009 na Libertadores.

No futebol internacional, recentemente, o colombiano Breyner Bonilla (Boca Juniors) alegou que o atacante do Cólon Esteban Fuertes o chamou de “negro de merda” durante partida recente. Lá fora, são conhecidos times que contam com jogadores assumidamente fascistas (como Paolo Di Canio, jogador do Lazio, por exemplo), que manifestam dentro de campo suas “orientações” (ou falta delas).

Por aqui, esse tipo de manifestação se dá de forma mais velada. Não é a primeira vez que um jogador negro recebe ofensas de cunho racista dentro e fora de campo. O caso é que racismo é crime (Lei 7.716/89) e, consequentemente, passível de sanção penal àqueles que o cometem.Se a Lei existe, a conduta deve ser encarada como criminosa sim, apesar das autoridades não tratarem os casos de racismo como tal, já que, no final de contas, impera o dito pelo não dito, um empurra-empurra, justificando uma injúria criminosa como resposta a um pisão no pé.

Porém, tanto os autores dos crimes quanto seus colegas de campo, insistem na argumentação de que é comum se dirigir aos “colegas” negros com xingamentos desse cunho e que, de modo algum, isso é racismo. Inclusive, alegando que “a mãe da cunhada da minha amiga é negra”, como forma de “comprovar” que não é racista. Neste caso, o também jogador do Palmeiras, Lincoln, defendeu publicamente que Manoel agiu de forma incorreta ao denunciar o “amigo”, uma vez que o caso de racismo é grave, porém “não é para tanto”, a ponto de virar caso de polícia.

E, ainda, podemos encontrar um vídeo no Youtube no qual uma torcedora do Coritiba no último jogo contra o Atlético Paranaense, também aparece xingando Manoel de “macaco”, junto com um coro “Danilo! Danilo!” (que é ex-jogador do time) da torcida, como forma de apoio ao jogador, mesmo após o incidente. Ou seja, alguns torcedores apóiam a conduta de seus jogadores, confirmando o caráter extremamente racista e absurdo da população brasileira, incluindo o público que frequenta os estádios. Mais bizarro ainda é pensar que, com certeza, no meio desses indivíduos que, em coro, apoiaram o criminoso, existem também negros, pardos, índios, etc. que não param e pensam na grande besteira de suas atitudes, se deixando levar pela massa, já que, se essas mesmas pessoas fossem paradas nas ruas e questionadas sobre o racismo, se diriam contra ele, numa forma politicamente correta de “enrustir” seus verdadeiros pensamentos.

Bom, episódios como esse só comprovam que o Brasil, em que pese pregar postura de “igualdade” entre as etnias, é sim um país preconceituoso, não só quanto à cor da pele e que, mesmo quando comprovado o crime (no caso de Danilo, as câmeras das emissoras de TV captaram o momento do xingamento) nada acontece, e logo o episódio é esquecido e superado. Até mesmo dentro de um esporte que alcança todos os setores sociais e que, em tese, deveria unir a população, a impunidade é recorrente (visto que não houveram punições realmente severas a nenhum dos jogadores autores desse crime).

Afirmamos que, esse texto não é uma crítica estritamente direcionada à uma torcida X ou Y, e nem tampouco ao time Y ou Z, mas sim a toda a população que encara como “normal” esse tipo de xingamento tanto no “calor das emoções” de um jogo de futebol, quanto no dia a dia.

O racismo deve ser combatido e o futebol é uma ótima janela para que, ocorrendo episódios como esses, nossas manifestações sejam ouvidas e tomem maiores proporções. Levemos aos estádios faixas, camisas, gritos que deixem claro que nós, torcedores, não aceitamos essas manifestações dentro e fora de campo.

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