Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



domingo, 29 de agosto de 2010

Skinheads e Punks Antifascistas de Santa Catarina CONTRA A HOMOFOBIA


Dos dias 1º à 08/08/2010 ocorreu em Joinville/SC, a 2º Semana da Diversidade Joinville, encerrando-se np último dia 08 com uma passeata pela cidade. A passeata contou com o apoio e a presença do grupo Molotov - que foi notícia no jornal local - composto por punks e skinheads ANTIFASCISTAS da cidade. O grupo também esteve presente na passeata de 2009. Abaixo a resenha elaborada pelo grupo para o nosso blog:


Militantes da S.H.A.R.P. seção Santa Cataria, Coordenadoria Molotov Antifascista e mais alguns simpatizantes da cena punk e skinhead antifascista de SC, se reuniram domingo dia 08 de agosto para participar de mais uma passeata contra a homofobia em Joinville/SC.

Apesar das reivindicações não serem discutidas anteriormente o que deixou vago o objetivo da passeata ao nosso entendimento, concordamos em apoiar a luta contra o preconceito com algumas ressalvas que foram esclarecidas durante o encontro como: a nossa recusa ao princípio de criminalização, que tenta encobrir a verdadeira raiz do problema, bem como ao princípio de isonomia na constituição brasileira, pois acreditamos não passar de uma medida reformista adotada pela burguesia com a velha máxima: “Todos são iguais perante a lei”, que tenta ludibriar o proletariado.

A passeata foi tranqüila e sem nenhum problema, porém assim como de costume tudo terminou em uma festa na chegada ao Mercado Municipal, onde os participantes se reuniram para tomar umas cervejas e falar um pouco a respeito do evento. O que nos faz pensar mais uma vez se realmente queremos participar destes eventos.

Tirando a pequena e praticamente insignificante presença de alguns membros já conhecidos de grupos fascistas que tiveram a “cara de pau” de aparecer no evento, mas que logo se retiraram, quando perceberam a presença das organizações mencionadas anteriormente, não notamos nenhuma ação de repressão pelos grupos fascistas (tampouco da polícia). Esses grupos apareceram e logo entenderam o recado. Bash The Fash!

De qualquer forma acreditamos que a passeata teve suma importância no esclarecimento das posições políticas da SHARP-SC tal como da Coordenadoria Molotov Antifascista para todo o público presente. Agradecemos a Associação Arco Irís e a todo pessoal envolvido que resolveu “abrir a cebeça” e enxergar o que realmente é um punk e principalmente um skinhead.

[passeata de 2009]

Vida longa Punk / Vida Longa Skinhead / Vida Longa Antifa!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Entrevista - The Oppressed

A banda "The Oppressed" dispensa comentários. Com uma postura completamente antiracista - seja em suas letras, entrevistas, comentários durante suas apresentações e outras ações - a banda de Cardiff/Reino Unido, foi formada em 1981. Pararam de tocar em 1984 e depois retornaram à ativa.

O vocalista da banda, Roddy Moreno, com quem conversamos por e-mail recentemente, foi um dos responsáveis por promover as idéias do movimento S.H.A.R.P. na Inglaterra ainda nos anos 80. Como dito, a banda dispensa comentários, suas letras falam por si só. Acompanhem na íntegra a entrevista que fizemos com eles, respondida por Roddy Moreno:

RASH SP: Depois de tanto tempo de estrada e passando por tantas mudanças, qual atual formação da banda?

Roddy Moreno: A formação atual sou eu, meu irmão Dom, Floyd na guitarra e Tony Kizmus na bateria. Tony era o pequeno skinhead branco na manga “Work Together”.

[Roddy Moreno]

RASH SP: Vocês participaram do nascimento do Oi!. Como está o Oi! hoje em termos de cena musical aí no Reino Unido e na Europa?

Roddy Moreno: é uma cena saudável aqui porque os nazis foram levados pro underground. Ainda há indiferença e muitos não políticos, mas você não vê a escória em shows e existe uma cena antifascista bem saudável. Skins, punks, hardcore antifascistas agora trabalham juntos para manter a cena livre de nazis.

RASH SP: Vocês chegaram a parar de tocar em 1984. O que os levou a voltar e fazer apresentações como algumas que fizeram recentemente tanto no Reino Unido quanto n Europa Continental?

Roddy Moreno: Primeiro nos ofereceram bastante dinheiro ara tocarmos “Punk & Disordely”, portanto o principal motivo foi financeiro. Nós somos todos simples trabalhadores com famílias e era difícil recusar o dinheiro oferecido mas como estávamos tocando novamente nós continuamos e significa que nós podemos fazer alguns shows pela causa.

RASH SP: Todos sabemos da longa luta de vocês contra o racismo e o fascismo na cena Skinhead e na imprensa brasileira a imagem do Skinhead ainda é majoritariamente associada ao fascismo. Mas como está essa cena atualmente no Reino Unido e na Europa? Na sua opinião os boneheads estão diminuindo?

Roddy Moreno: A escória nazi nunca é vista nos concertos porém eles ainda estão tocando em shows escondidos e fazendo planos para uma nova ordem, mas a verdade é que eles são uma piada e ninguém os leva a sério.

RASH SP: Outra questão relacionada com a cena Skinhead. Como vocês vêem o papel de agrupações como o Sharp e o Rash atualmente?

Roddy Moreno: Eu creio que qualquer um que se ponha contra a escória nazista merece crédito. A política deles não interessa, para mim a luta contra o racismo é o importante.

RASH SP: Passando para o futebol, vimos que vocês torcem para o Cardiff e vimos também que o time fez uma boa campanha nessa última temporada. Qual a expectativa de vocês em relação ao Cardiff na próxima temporada?

Roddy Moreno: Bom, nós desperdiçamos o progresso para a “Premier league” (algo como a primeiro divisão) ao perdermos para o “Blackpool” na final em Wembley. Eu esperei 30 anos para ver o Cardiff City de volta ao topo mas eu rezo para que esta temporada nos leve de volta a ele.

RASH SP: Vocês possuem um cd chamado Music for Hooligans. O que é o hooliganismo hoje no Reino Unido? Existem torcidas que adotam posturas antifascistas mais firmes aí no Reino Unido?

Roddy Moreno: Nunca houve um elemento político no futebol no Reino Unido ao contrário da Europa, onde existem times fascistas e antifascistas. No Reino Unido sempre foi importante a área de onde você é. Aqui ele lutam apenas pelo futebol e não por política.

RASH SP: Além do Oppressed, quais os outros projetos que vocês desenvolvem?

Roddy Moreno: Eu e o Dom tocamos no “Tighten Up”; eu e o Floyd tocamos no “The D Teez”.

RASH SP: Há no momento a expectativa de lançarem material novo?

Roddy Moreno: Tem alguns anos que eu não escrevo nenhum material novo, então é improvável.

RASH SP: Chegamos ao fim, agradecemos atenção de vocês. Fica aí o espaço para uma mensagem final

Roddy Moreno: Como sempre, obrigado pela entrevista e “FUCK FASCISM BEFORE IT FUCKS YOU” (Foda o fascismo antes que ele foda com você!).

domingo, 15 de agosto de 2010

Resenha - Comemoração de 8 Anos do Coletivo RASH SP


N
o dia 07/08 transcorreu em São Paulo o festival "Destrua o Fascismo", em comemoração aos 8 anos de existencia do coletivo RASH SP. Nesses 8 anos de resitência enfrentamos muitas dificuladades, muitos boicotes e acusações infundadas tanto dos fascistóides de plantão, quanto de pseudo-libertários que por trás de um suposto radicalismo anti-fascista escondiam apenas um sentimento de rivalidade ganguista. Para o desespero de todos esses estamos aí... E não pretendemos parar!

Acreditamos que nesses anos contribuimos para que coisas novas e positivas tenham surgido na cena skinhead e em parte da cena punk, portanto temos plena convicção de que tudo o que foi feito nesses anos, com seus erros e acertos, não foi em vão. Nesse festival tivemos o saldo positivo de ver pessoas novas surgirem na cena e de ampliar nossos contatos, no que diz respeito as bandas foram três as que se apresentaram: Última Classe, 88Não! e Juventude Maldita. Também contamos com material tanto para ser distribuido quanto vendido, material que além da divulgação de nossas propostas também contribuiem para que o coletivo continue com suas atividades.

No que diz respeito especificamente a parte musical, a primeira banda a se apresentar foi a Última Classe, vinda do litoral para o festival. A banda apresentou seu repertório com músicas próprias e alguns covers, mostrando um som influenciado pelo punk setentista e pelos clássicos do Oi!.

Na sequência veio a apresentação da 88Não!, banda a qual o coleitvo RASH SP será sempre grato, por todo apoio que sempre nos deram, inclusive já tendo tocado no nosso primeiro festival. Um punk rock forte e ao mesmo tempo melodioso e letras consistentes, foi o que a 88Não! apresentou, uma excelente banda de punk rock!


Por fim tivemos o Juventude Maldita, grandes canções punks, um clássico pra se cantar junto (Grândola, Vila Morena) e uma versão muito boa de uma tradicional canção anarquista espanhola (A las Barricadas), puseram todos pra pogar!



Agradecemos a todos os que compareceram e prestigiaram o evento! Seguiremos firmes com ou sem dificuldades, procurando sempre contribuir para uma cena mais saudável!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Various Artists - The RASH United Army - Vol. 1 e Vol. 2


D
isponibilizamos abaixo, os dois volumes do compilado "The RASH United Army", elaborados e distribuídos pelo pessoal do blog "Musica de la Calle", em qual trata de reunir todas as canções referentes à RASH e ao movimento REDSKIN. Alguns temas são clássicos e alguns não tão conhecidos.

Para baixar, cliquem nos links abaixo.

The RASH United Army - Volume 1



01 - The Redskins - Reds Strike The Blues
02 - Brigada Flores Magón – RASH
03 - Antiruggine - 100% RASH UNITED
04 - Banda Bassotti - Giunti Tubi Palanche Ska
05 - Mossin Nagant – RASH
06 - Opció K-95 - Skinhead only Red
07 - Núcleo Terco - La Ley del Combate
08 - Ya Basta! - Lucha y Fiesta
09 - Guardia Negra - Redskins!
10 - Alerta Guerrilla - Pelones (Redskins 2002)
11 - Guardia Bermellón – Redskins
12 - Sistema Sonoro Skartel - Redskin Reggae Dub
13 - Avalots - Red Skins
14 - Komintern 43 - RASH UNITED
15 - Военное Положение - Red Skinhead
16 - Brigada Oi! - RASH NC
17 - Desperta Ferro - Només hi ha un Camí

The RASH United Army - Volume 2




01 - The Redskins - Young & Proud
02 - Red Banner - Cultura del Carrer
03 - Inadaptats - Red Skins
04 - Direttiva 16 – RASH
05 - Kortatu - Etxerat!
06 - Bolchoï - Violence Rouge et Colere Noire
07 - Full Time Skins – Redskins
08 - Kominter 43 - Espiritu Redskin
09 - Camarada Kalashnikov - Un Sol Front
10 - Oi! Se Arma - RASH Canarias
11 - Redweiler - Red Skinheads
12 - Vozintierra - Rojos y Anarkistas
13 - Brigada Oi! - Orgullo Redskin
14 - Noise & Oi! – RASH
15 - Бригадир - Красные и Анархо Скины!
16 - Skuadron48 - PRAB

Conforme divulgação do próprio blog, essas músicas são de distribuição completamente gratuita. E pedem que apenas vendam os CD´s, em situações de apoio à companheiros.

Novo Estatuto do Torcedor


“N
o capital tudo vira mercadoria”, já foi dito uma vez, desde os “direitos” básicos (saúde, alimentação, educação, etc) até as “contraculturas” (que ingenuamente pensam estar fora da engrenagem), Isso acontece, também, no esporte mais popular do mundo: o futebol. E não haveria de ser diferente. O fato de compreender que isso ocorre não significa que é aceitável ou justo.

Com relação ao futebol, existe claramente uma diferença de conceito, para os sangues sugas que lucram com ele diariamente. É um entretenimento, um ”espetáculo”. Mas a realidade é que o futebol é muito mais que isso, futebol é sentimento, paixão, ódio, alegria, tristeza, suor, lágrimas.

Com toda certeza, o amor de um verdadeiro torcedor pelo seu time é o amor mais puro que existe, é aquele que não pede nada em troca. Pode haver cobranças com relação a resultados, no entanto a grande verdade é que mesmo nas derrotas, a paixão não muda.

Esse amor pelo clube, faz com que por vezes nada mais importe, família, amigos, namorada...não tem jeito, não adianta, têm horas que o único lugar que importa é a arquibancada, o resto se ajeita depois. Faz sentido? Provavelmente não, mas não tem que fazer mesmo, não tem que ter explicação, não tem que ser justo, é sentimento, não é racional.

Na contramão disso tudo, aqueles que vêem o futebol como entretenimento, lançam agora o “Novo Estatuto do Torcedor”, com o intuito de proteger o “consumidor” de futebol e “prevenir” a violência em eventos esportivos. Desculpa esfarrapada para afundar ainda mais a sociedade de controle e transformar os estádios em casa de espetáculo de ópera.



Na prática, para quem mora no Estado de São Paulo, pouca coisa muda, já que por aqui há tempos tudo é proibido, porém as penas ficaram mais duras. Claramente esse recrudescimento vai afetar mesmo as torcidas menores, já que é mais fácil a identificação física dos membros destas torcidas.

A maior patacoada desse novo estatuto, e prova de que o “combate a violência” é só uma desculpa, está no artigo que prevê sanções às torcidas que brigarem ou “incitarem a violência” (termo extremamente vago) até 5 km dos estádios. Pombas! Há muito, as brigas perto do estádio são raras ocorrendo, em sua maioria das vezes, nos próprios bairros ou no trajeto dos estádios. Qualquer um que acompanhe futebol para além dos programas esportivos e jornais “especializados” sabe disso, as “autoridades” também sabem.

A realidade é simples, em 2014 a Copa do Mundo será realizada aqui, faz-se necessário mostrar para a FIFA e para o mundo que somos “civilizados”, que sabemos “apreciar o espetáculo”, que estamos enquadrados na nova ordem do futebol, que as “famílias vão aos estádios” (proselitismo para esconder “queremos elitizar os estádios”). O Estatuto do Torcedor foi a primeira medida, encher os estádios de cadeiras com lugares marcados será a outra, aumentar os preços do ingresso também, e por aí vai. Já mataram o futebol no campo, querem matar na arquibancada também.

ps: sobre a proibição de xingar no estádio, é tão ridículo que nem merece comentários.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Entrevista - Stage Bottles


Às vezes anti-social, mas sempre antifascista! Este é, traduzido para o português, o título de um dos discos da banda alemã Stage Bottles. Formada em 1993, a banda é até hoje umas das mais relevantes bandas skinheads antifascistas do cenário europeu. O primeiro lançamento da banda ocorreu no mesmo ano de sua formação e foi o EP "They are Watching Me" e no ano seguinte veio o primeiro LP: "Corruption and Murder", de lá para cá foram mais 4 discos solos, além da participação em coletâneas, discos ao vivo e splits. Musicalmente a banda combina Punk Rock, Oi! e Ska e além de baixo, guitarra e bateria, utilizam um saxofone. A formação atual é a seguinte: Olaf (Vocal, Saxofone) Marcel (Guitarra), Easy Dan (Guitarra), Kimba (Baixo) e Simon (Bateria). O Stage Bottles é umas das bandas mais ativas da Alemanha, se gabam de já terem tocado em mais de 400 shows e o fato é que a banda já dividiu o palco com The Oppressed, Angelic Upstarts, Los Fastidios, Klasse Kriminale e muitos outros expoentes da cena punk e skin européia. Eles mesmos dizem que as origens da banda estão na formação do movimento SHARP na Alemanha, por isso é que eles estão até hoje na linha de frente da cena Skinhead antifascista!

Nós do coletivo RASH SP, fizemos contato no mês de julho/2010 com o vocalista da banda - Olaf - para uma entrevista exclusiva, que você acompanha a seguir. Olaf atendeu nosso pedido com muita rapidez e respondeu todas as perguntas com boa vontade e interesse. Acompanhem:

RASH SP: O Stage Bottles é uma banda com praticamente 17 anos de existência, num espaço de tempo assim muita coisa aconteceu e vocês mudaram a formação várias vezes. Qual a formação atual?

Olaf: Nós tivemos muitas mudanças na linha de frente da banda. Nos últimos 07 meses nós tivemos que praticar com um novo baterista e um novo guitarrista, então nós não fizemos muitos shows. A formação atual é Marcel e Slavko na guitarra, Olaf (número 02) na bateira, Kimba no baixo e eu, outro Olaf, no sax e no vocal.

RASH SP: E ainda nesse espaço de cerca de 17 anos, quantos álbuns vocês lançaram ? E vocês têm idéia de quantas gig’s tocaram?

Olaf:
Nós já lançamos 05 álbuns. Demora cerca de três anos para que nós façamos um novo álbum. Nós lançamos alguns 7" e fizemos alguns “splits” com várias bandas. Nós também lançamos algumas músicas exclusivas em compilações. Eu não sei quantos shows nós fizemos, mas deve ser algo em torno de 500.

RASH SP: Outro aspecto que sempre se relaciona a bandas com um bom tempo de estrada são as mudanças na sonoridade e na mentalidade. Com todas as mudanças na formação, como isso afetou vocês, em termos de sonoridade e mentalidade?

Olaf:
Boa pergunta. Com as mudanças pelas quais passamos nós tivemos alguns problemas com diferentes mentalidades dos membros da banda. Claro, de algum modo cada membro da banda estava envolvido no universo punk rock, skinhead ou futebolístico. O estilo musical sempre foi de agrado de todos os membros, mas o nosso último guitarrista que deixou a banda, por exemplo, queria se tornar mais bem sucedido e tentar fazer com que outro tipo de público ouvisse o Stage Bottles. Porém o Stage Bottles é uma banda do meio subcultural que canta sobre nossas vidas. E não é fácil que as maiorias das pessoas entendam um verdadeiro modo de vida da maneira que nós entendemos com o Stage Bottles. Então, não seria necessário mudar nossas letras e parte da nossa identidade para que outras pessoas passassem a ouvir a banda. Acredito que esse seria o fim da banda, já que o que o Stage Bottles faz no momento é o que o Stage Bottles realmente é.

RASH SP: O Stage Bottles é uma banda declaradamente antifascista, então diga-nos como é essa questão na Alemanha e na Europa hoje. Qual a extensão dos grupos e organizações fascistas na sociedade alemã e européia? E como tem sido enfrentar esses grupos?

Olaf:
Quando a banda começou a cena era bem menor e nós e nossos amigos éramos um grupo de skins antifascistas. Portanto, nós fomos confrontados por nazis desde o começo da banda. Nós tocamos em gig’s nos anos 90 com o Cock Sparrer por exemplo, e tinham nazis no show. Nós e nossos amigos os atacamos e eles tiveram que deixar o show. Fascistas nos shows é uma coisa. Outra coisa é que nós conhecemos muitas pessoas de lugares alternativos na Europa toda. Lugares alternativos não são realmente adorados pelos nazis. Então nos sentimos solidários com tais lugares e fazemos concertos sociais, por exemplo, ou os ajudamos fazendo segurança ou algo do tipo. Nós às vezes tocamos em gig’s em cidades que os nazis estão marchando ou “recrutando”, e nós então damos apoio aos antifascistas seja tocando ou apenas estando com eles. Outra coisa é que nos interessamos e procuramos informações sobre os nazis e o que eles fazem.

Nós temos uma forte rede de apoio e então nós não somos realmente confrontados por nazis nos nossos shows, e sim em algumas outras ocasiões, como demonstrações antifascistas. É estranho o quão forte os nazis são. No momento, eles estão tentando ter uma imagem mais normal. Estão tentando se envolver numa vida pública mais normal. Principalmente no Leste europeu, onde as pessoas ainda estão procurando por sua identidade, eles estão se tornando mais fortes e mais violentos. Mas há também algumas partes na Alemanha que eu seria bem cauteloso.


RASH SP: Ainda considerando a postura antifascista da banda, vocês fazem parte de algum grupo ou organização política?

Olaf: Não, nós somos completamente independentes. Nós trabalhamos com diferentes pessoas que estão envolvidas com organizações distintas. Nós também nos recusamos a trabalhar com pessoas que, apesar de esquerdistas ou antifascistas, não passam de idiotas. Nós nunca daremos apoio a stalinistas, por exemplo.

RASH SP: Aqui no Brasil a imagen dos Skinheads ainda é muito associada ao neonazismo e ao racismo. Como está a cena Skinhead aí na Europa atualmente, considerando tanto a parte musical como os problemas relacionados com a vinculação da imagem dos Skinheads ao neonazismo e ao racismo?

Olaf: Nós começamos a construir o movimento SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice) há cerca de 20 anos atrás. Roddy Moreno, vocal da banda “The Oppressed” de Cardiff/País de Gales/Inglaterra o trouxe de Nova Iorque. Nós organizamos a marcha skinhead, concertos e entrevistas na TV. Por causa do SHARP várias bandas Oi! e de Street Punk se criaram. Então, é realmente uma grande cena. Algumas pessoas ainda acham que skins são nazis, mas no geral o público sabe que skinheads não são sempre nazis.


RASH SP: Vocês tem uma musica chamada Hooligan. Então para que times torcem?

Olaf: Essa música não se trata apenas de futebol. Eu escrevi a letra. O motivo desta música é a questão do por que eu comecei a me envolver em brigas, apesar de ter tido uma boa educação, tocar instrumentos e ter terminado de freqüentar a universidade e etc. Então, se você tiver um forte sentimento de justiça e falar não surtir mais efeito e nem fazer mais sentido, você começa a ser agressivo e tenta seguir suas crenças através de ações físicas. Aí você é meio que um hooligan.

Mas a música é também sobre o hooliganismo no futebol. Às vezes é divertido ter brigas no futebol, apesar deu tentar não me envolver mais nelas. Eu não quero perder meu emprego e não quero ir para o hospital ou me machucar e ter que cancelar shows por conta disso.

Eu torço pelo “Fortuna Duesseldorf” (segunda liga); dois de nós torcem para o “Frankfurt” (a principal cidade da nossa área – primeira liga) e o resto da banda não liga muito pra futebol.

RASH SP: Como vocês vêem o hooliganismo comum e despolitizado e a questão que envolve as torcidas fascistas e antifascista?

Olaf: Muito frequentemente depende de que cidade o grupo hooligan vem. Frankfurt é ok, Duesseldorf não é mau. Mas há sempre o perigo de hooligans serem meio que de direita.

Vários deles são nascidos nos guetos, não tendo uma socialização descente. Então provocação é muito importante. E provocar fingindo ou sendo um nazi, sempre funciona.

Mas, nos últimos anos, muitos hooligans, especialmente líderes que envelheceram, querem ser anti-sociais num nível melhor. Então eles tentam não aceitar nazis nos grupos deles. Alguns gurpos de hooligans são oficialmente antifascistas. E outros ainda são completamente influenciados pelos nazis.

RASH SP: Alguns de vocês também integram o Blaggers ITA. Como vocês estabeleceram esse vinculo com uma banda inglesa?

Olaf: Eu era um membro do Blaggers ITA de 1992 até 1993. Eu até morava em Londres nessa época. Aí eu e o Marcel (também guitarrista do Stage Bottles) estávamos envolvidos na junção em 2001. Estou cantando perto do cantor de hip hop Christy agora. Nós nunca fizemos novas músicas. Nós só tocamos em 05 shows por ano e em sua maioria, gig’s antifascistas. Em 2001 nós tocamos pela primeira vez, pois uma organização chamada de IWCA (Independent Working Class Association – Associação Independente da Classe Trabalhadora) precisava de dinheiro para as eleições para prefeito de Londres. Membros do Blaggers estavam envolvidos nesse grupo político. Nós arrecadamos 6.000 euros – entre 2001 e 2003. Foi um grande sucesso. Depois disso algumas pessoas ainda estavam interessadas em fazer gig’s do Blaggers, então nós continuamos.

RASH SP: Nos chegam aqui as notícias sobre a atual crise na Europa e as manifestações na Grécia. Como vocês analisam essa crise e o que vocês pensam que pode acontecer a partir dela?

Olaf: Minha análise: algumas pessoas só pensam em acumular capital. Eles não estão nem aí para o que está acontecendo. Eles pensam que o ponto principal de ser livre na nossa assim chamada democracia é a liberdade de levantar o máximo de dinheiro que você puder. Eles se esquecem da liberdade de outros que dependem do trabalho, da educação correta, etc. E a sociedade ainda pensa que “merdas acontecem”. Eu acho que é um problema do espírito das nossas sociedades. Responsabilidade social não é tão importante quanto se tornar rico. Eu jamais faria algo na minha vida que repercutisse negativamente na vida de outra pessoa, apenas para ter dinheiro e poder.

Porém, outras pessoas fariam e são protegidas pelos políticos. E políticos são frequentemente, parte do sistema. Muitas coisas são feitas apenas porque os países querem ser economicamente fortes. O sistema no qual vivemos faz com que isso seja necessário, mas alguém sempre sai perdendo. E, se muitas pessoas perdem, nós entramos em crise e todos parecem se surpreender com isso. Eu conversei com o corretor da bolsa que é envolvido com a cena hooligan de Frankfurt. Ele disse que sempre avisou aos colegas para serem cautelosos. Eles não ouviram. Ele disse que sempre soube o que estava acontecendo. Outros também deveriam saber disso e não estavam nem aí. E apesar de terem ferrado sociedades inteiras, não foram responsabilizados de forma correta.

Então, acontecerá de novo e de novo se não houver uma séria mudança. Mas se você falar sobre outro modelo de sistema, você é tido como um comunista ou um terrorista intelectual que quer acabar com a chamada democracia. Portanto o sistema não é capaz de curar a si mesmo. O sistema é falho e a maioria ainda pensa que é culpa de erros individuais.

RASH SP: Por fim, agradecemos por concederem a entrevista e fica aí o espaço para um recado final.

Olaf: É uma pena que o Brasil seja tão longe. Nós ouvimos dizer que vocês têm uma cena bem viva e que nós realmente deveríamos tomar conhecimento dela. Talvez algum dia. Falem com a gente caso alguma banda brasileira interessante venha à Europa. Talvez nós possamos encontrá-los e dar suporte a eles.

Saudações,

Olaf/Stage Bottles.