No último sábado (06/03) pudemos ter uma boa noção do grau de comprometimento de parte dos simpatizantes do coletivo RASH–SP.
Passamos algum tempo planejando e visualizando uma Campanha que mostrasse o lado “social” que nós, skins e punks, temos (ou deveríamos ter). Imaginamos que seria bem-vindo um “evento” que tirasse o foco de som, cerveja, brigas, e remetesse a um propósito que deveria interessar a todos: o próximo.
Porém as coisas não saíram como o planejado. Das mais de 300 pessoas que receberam o informativo da Campanha de Doação de Sangue via e-mail direto - sendo que cerca de 100 destas pessoas são amigos próximos, com contato de dia-a-dia com os membros do coletivo e o universo underground - nenhuma compareceu. Isso mesmo, ninguém.
Além de alguns membros da RASH-SP, somente duas pessoas se deram ao trabalho (em pleno sábado, em uma manhã chuvosa e convidativa pra uma esticadela na cama) de nos encontrarem no metrô rumo à Santa Casa.
Essas duas pessoas nada têm a ver diretamente com o coletivo, muito menos com o “rolê” skin, como adoram dizer. Porém desde que as conhecemos na última reunião aberta que fizemos, têm se mostrado interessadas e dispostas a nos ajudar da melhor forma possível, seja como for, seja como puderem. E podemos garantir que estão fazendo mais do que alguns auto intitulados RASH têm feito nos últimos anos.
Não direcionamos essa nota a meia dúzia de pessoas ou a um grupo em específico, que isso fique claro e que haja maturidade para entender. Mas se olharmos de fora, essa é maneira como se comportam as pessoas que não estão interessadas em fazer algo por aquilo que elas chamam de “cena”, estão ali se “movimentando” por inércia.
Não entendem que se hoje muita coisa dentro desta “cena” é melhor do que há 10 anos, é porque algo está sendo feito, porque alguns punks e skins estão batalhando no dia-a-dia para essa melhora. Essas mudanças não ocorreram com todos de braços cruzados e, portanto, fazer a sua parte é importante, é participar, contribuir, marcar presença, opinar, questionar, dar ideias.
Lembrem-se, quando um lado se torna mais fraco, o outro se fortalece, e o mais triste é ver que esse fortalecimento pode ocorrer não pela organização do lado de lá, mas por desinteresse e desorganização de alguns dos que estão do nosso lado.
E respondendo à pergunta infalível que os mais pessimistas estão se fazendo: sim, é bem difícil imaginar alguma mudança no cenário punk/skin apenas com uma campanha de doação de sangue, pois sabemos que numa campanha como essa não iremos diretamente conseguir mudar o curso do movimento skin. Porém além da importância do ato em si, mobilizações como essa servem para aproximar pessoas, novos interessados e serve para fortalecer o trabalho em grupo. A RASH-SP não é uma organizadora de eventos, portanto não poderemos viver em torno apenas de shows e festas.
O recado está dado. Nada de cunho ambicioso nem sequer moralista, mas o coletivo está hoje consciente das suas limitações e seus apoios. Poucos querendo muito e muitos que não querem nada.