Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Clube de futebol criado para combater a homofobia nos estádios

Recebemos de um camarada do coletivo a indicação para a interessantíssima matéria abaixo, que fazemos questão de postar aqui no blog, na íntegra.

Paris Football Gay
21 jan
Geral

 

Alguém poderia imaginar que no meio preconceituoso do futebol houvesse um clube criado para combater a homofobia nos estádios?

Pois existe!

Em Paris, no ano de 2003, foi criado o Paris Football Gay (PFG), cujo o objetivo inicial e fundamental é a luta contra a homofobia no futebol amador e profissional francês.

Segundo o site do PFG, a visibilidade da sua equipe e a militância da associação representam um meio concreto de luta contra a discriminação. É uma ação política que combate o isolamento e a rejeição dos homossexuais no futebol.

Uma carta de compromisso contra a homofobia foi enviada para os quarenta maiores clubes profissionais da França. No entanto, o compromisso foi assinado apenas por seis: Paris Saint Germain, Auxerre, Saint Etienne, Bordeaux, Nice e o Montpellier.

Isto significa que há ainda um longo caminho a percorrer.

No PFG, são acolhidos jogadores de todas as orientações sexuais: héteros, bissexuais e homossexuais com um único ponto em comum: Lutar contra a descriminação no futebol.

Em novembro de 2005, Vikash Dhorasoo, ex jogador da seleção francesa, tornou-se padrinho do clube.

Entrevistado pelo jornal L’Équipe sobre o motivo de apadrinhar o Paris Football Gay, ao invés de uma associação que lute contra o racismo, assim respondeu o ex jogador de origem indiana:

Eu fiz isso para os gays, mas também para todas as outras minorias, para mostrar que a discriminação não se limita à cor da pele. A discriminação pode ter várias formas, como por exemplo, contra as mulheres, contra os deficientes físicos… Entretanto a maior batalha a ser travada é no dia a dia.
Os patrocinadores do clube gay de Paris são também a madrinha do clube e estilista Agnes B, a marca de roupas esportivas Balliston e o arquiteto e designer Philippe Starck.

Boicote de um time islâmico

Em 2009, O PFG sofreu um boicote de um time composto somente por muçulmanos, o Créteil Bébel.

Interessante observar que o município de Créteil abriga dois times de colônia. O Créteil Bébel de muçulmanos, e o Créteil Lusitanos dos portugueses.

Os dirigentes do Paris Foot pediram a sua liga, a Comissão Football Lazer (CFL), sanções contra o Créteil Bébel depois da desistencia de jogar contra o PFG por “princípios”.

O Paris Foot Gay definiu a decisão do clube de Créteil como homofóbica.

Na véspera do jogo, o presidente do PFG, Pascal Brethes, recebeu uma carta do Bébel Creteil com estes termos:

Desculpe, mas por causa do nome de seu time e conforme os princípios do nosso clube, que é composto por muçulmanos praticantes, não poderemos jogar contra vocês, nossas convicções são mais importantes que um simples jogo de futebol, mais uma vez, desculpe-nos por ter avisado com tão pouca antecedência.

Comunitarismo?


A Secretária de Esporte da França na época, Rama Yade indignou-se:

Mas aonde vai parar tudo isso? Si continuar assim, as pessoas vão se recusar a jogar contra negros, judeus… O comunitarismo não tem lugar no esporte.
A rejeição do termo comunitarismo foi justamente o argumento apresentado por um dirigente do Créteil Bébel para explicar o gesto de seu clube:

Não sou homofóbico, não sou integrista. Não me incomoda jogar com gays, mas não com um clube com um nome desse…. Nos quisermos ficar neutros – A gente não se autodenomina o Futebol Clube Islâmico, por que outros precisam de rótulos? ” declarou ao L’Équipe o senhor Zahir Belgharbi.

Do outro lado, Pascal Brethes do PFG respondeu:

O Paris Foot Gay não é um clube ccomunitarista, é antes de tudo uma associação que luta contra a homofobia no futebol, somos abertos aos negros, árabes , brancos e a todas religiões existentes no mundo”.

Entrevistado por uma estação de radio, um outro dirigente do time de Créteil também explicou a atitude de sua agremiação:

Como muçulmano, tenho todo o direito de não querer jogar (contra o PFG) pois eu não concordo com suas idéias.

Diante disso tudo, a Comissão Football Lazer (liga onde joga ambos os times) decidiu no mesmo ano excluir o time muçulmano de Créteil. A ONG SOS Racismo aprovou a atitude da Liga:

Não é possível aceitar, que sob o pretexto de convicção religiosa, ou em nome de qualquer outra convicção, que o homossexualismo seja criticado”, declarou a associação em um comunicado.

Fontes: Le Monde, L’Équipe e http://parisfootgay.free.fr/

Extraído daqui.

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