Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



domingo, 29 de maio de 2011

UMA NOITE MEMORÁVEL - Exibição de ANTIFA: Chasseurs de Skins em SP

A pancada de chuva que caiu sobre São Paulo no início da noite da quarta-feira, 20 de abril, não impediu que o auditório da Ação Educativa ficasse lotado de pessoas que atenderam ao convite da RASH-SP para assistir ao filme Antifa: chasseurs de skins e debater a situação atual de nossas ruas. Foi um evento inédito, num ano em que nossa cidade tem sido palco de uma sequência de acontecimentos inusitados que, no nosso entendimento, teve início em fevereiro, com a Marcha contra a Homofobia, quando foi possível vislumbrar a possibilidade de aliança de skinheads e punks antifascistas com ativistas homossexuais, algo que pegou a muitos de surpresa, inclusive a velha imprensa, que sempre se alimentou de preconceitos, estereótipos e sensacionalismo. Por outro lado, a manifestação em apoio a Bostonaro e à homofobia, ocorrida em abril e que também pela primeira vez em nossa cidade uniu diferentes quadrilhas nazifascistas em plena luz do dia foi um alerta para que a aliança esboçada na Marcha de fevereiro se consolide numa rede ampla e forte.


O evento da noite de 20 de abril foi, portanto, um passo importante e necessário para a construção de uma cena antifascista relevante e ampla em nossa cidade. O horário previsto para o início da exibição era 19h30, mas como a maioria das pessoas sai do trabalho pouco antes desse horário e o costumeiro trânsito caótico foi potencializado pela chuva pesada que começou por volta das 18h, tivemos um atraso de quase uma hora, já que poucas das mais de 115 pessoas confirmadas haviam chegado. Porém, já no início da exibição do documentário, o auditório estava lotado e as pessoas continuavam a chegar. Pelos nossos controles, chegamos a ter cerca de 100 pessoas ao fim do documentário, entre skins, punx, queers, feministas, pessoal do rolê e gente que nem imagina o que é rolê.


A história das gangues que limparam o lixo fascista das ruas de Paris na década de 1980 recontada em Antifa: Chasseurs de Skins serviu de aquecimento para o debate que aconteceu na segunda parte do evento. Para dar início às discussões, a RASH-SP montou uma mesa composta por um skin membro do coletivo, um punk anarquista e um militante comunista. Todos os três levantaram pontos do filme que consideravam relevantes e, inevitavelmente, acabaram fazendo uma ponte com a realidade atual das ruas de São Paulo. Obviamente essa mesa não representava a todos os grupos e indivíduos presentes e nem era esse seu objetivo, mas logo em seguida todos os presentes puderam expor suas opiniões e propostas em relação à situação atual de nossas ruas. Por ser a primeira experiência deste tipo, faltou alguém que secretariasse a reunião, o que provocou certa desorganização na hora de se dar a palavra às pessoas que manifestavam interesse em falar, o que causou o protesto de algumas mulheres, que acusaram o favorecimento (inconsciente, obviamente) à manifestação dos homens, tanto hétero quanto homossexuais.


Falou-se, entre outras coisas, dos problemas enfrentados nos últimos tempos tanto na região central de São Paulo quanto em áreas periféricas como Osasco, onde as ações de bandos fascistas são cada vez mais descaradas, e também sobre a presença crescente de elementos vinculados a estes bandos nos serviços de segurança de casas noturnas da cidade. Alguns presentes também chamaram a atenção para a vinculação das gangues com organizações políticas de ultradireita, que as alimentam financeira e ideologicamente.





Inegavelmente, foi uma noite memorável, da qual saímos todxs nos sentindo fortalecidxs e decididxs a fortalecer as alianças que neste momento se estabelecem. Vivemos um momento bastante sério, mas é justamente a gravidade da situação atual que está possibilitando a concretização destas alianças improváveis e que têm potencial não só de aniquilar o ódio fascista que espreita nas ruas escuras, mas também de fazer tremer o próprio Poder opressor. A tarefa agora é dar continuidade a esses encontros e para isso contamos com o apoio e o comprometimento de todxs xs que amam a justiça e a liberdade.


O coletivo RASH SP, consciente da importância do processo iniciado com os eventos anteriormente citados, organizará nos próximos dias uma reunião com grupos e indivíduos comprometidos com a luta antifascista, com o objetivo de articular melhor nossas ações. Estes tempos novos exigem novas formas de organização e de luta e não podemos deixar o momento escapar. Daremos, assim, o pontapé inicial para reunir em uma ampla rede todxs aquelxs que já se encontram presentes lutando contra os grupos de ódio nas ruas de São Paulo, assim como aquelxs que desejem incorporar-se à luta a partir de agora. Desde já porém, deixamos claro que qualquer aliança que nasça desta discussão deverá se estabelecer com a maior horizontalidade possível, com o mínimo de burocracia e independência total de partidos, sindicatos e ONGs.  Valorizamos a ideia de que isso tudo não tenha um modelo pré-definido, justamente para que o novo surja. Algo novo tanto na forma de organização, como em suas ações.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Entrevista RASH-SP à revista "A Capa"


Postamos abaixo a entrevista que o coletivo RASH-SP concedeu ao reporter Marcelo Hailer, da revista "A Capa", voltada para o público homossexual.

Na materia final constam algumas informações equivocadas e que precisam ser melhores esclarecidas: consta a informação que os skinheads em sua  origem ouviam "punk rock", o que está errado, conforme já publicado aqui, o som dos skinheads originais era basicamente a música jamaicana.

Outro ponto importante a se destacar, é que na matéria, em um primeiro momento, temos a impressão que a nossa luta antifascista se resume APENAS ao combate a homofobia. Nossa luta é contra todas as formas de preconceito e discriminação, seja o preconceito racial, sexista, machista e obviamente o preconceito aos homossexuais.

Leiam e opinem!