Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



sábado, 30 de julho de 2011

Coletivo Molotov - Exibição e Debate do Filme "ANTIFA: Chasseurs de Skins"

No próximo dia 31/07 (domingo), o Coletivo Molotov de Joinville/SC, exibirá o documentário francês "ANTIFA: Chasseurs de Skins", evento que já ocorreu aqui em São Paulo este ano, organizado por nós da RASH SP (resenha aqui).

Desejamos sorte aos camaradas antifascistas do sul. É a juventude se organizando nos quatro cantos do país.


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resenha - Participação RASH SP no Programa Grampo MTV

Recebemos há duas semanas o contato da produção do programa Grampo MTV, da emissora MTV Brasil, nos convidado a participar de um programa “especial” sobre skinheads, por conta dos últimos acontecimentos que vêm ocorrendo na cidade de São Paulo.

“Especial” porque, segundo a produção, visava informar a população sobre a real origem dos skins e suas “divisões”, expor que nem todos são racistas e, com isso, nós da RASH SP  falaríamos sobre o nosso coletivo e a nossa luta. Algo diferente do que vem sendo feito por outras grandes emissoras.

Negociamos alguns pontos que achávamos importantes: que  nossas identidades fossem preservadas, que nos dessem maiores informações sobre os demais grupos e pessoas que participariam do programa (já que não concordamos que emissoras deem espaço para nazifascistas exporem suas ideias em rede nacional, como se as ideias de um fascista merecessem alguma consideração) e, obviamente, que a MTV fosse clara em relação ao real objetivo do programa com essas entrevistas.

Após algumas negociações, concordamos com a participação e a gravação ocorreu na semana passada. Conduzida pelo apresentador Cazé Peçanha, a entrevista na íntegra durou pouco mais de 40 minutos e pareceu muito mais um “bate-papo” do que uma sessão de “perguntas e respostas”.

Falamos do objetivo das seções RASH no mundo, que não somos um partido, mas coletivos que abrigam skinheads libertários, que cada um milita fora da RASH também, na organização  que lhe parecer melhor. Comentamos sobre a importância da propaganda antifascista nas ruas de São Paulo, a presença nas manifestações que vêm ocorrendo nos últimos meses e o papel da música como ferramenta importante para a divulgação de ideais libertários (por isso a necessidade de termos gigs de Oi! e punk rock ocorrendo com frequência e do apoio de todos), que o coletivo está aberto a formar redes, e que não temos uma linha política fechada além do fato de abrigarmos os skinheads de esquerda.

Não deixamos de citar que somos fiéis às origens do movimento skinhead original, porém buscamos manter a parte positiva daquela época e superar os aspectos negativos, como o apoliticismo e a violência gratuita. A todo o momento tentamos superar o ganguismo com uma ação político-cultural, mantendo sempre uma postura classista.

Fomos questionados sobre o porquê da preocupação com a exposição dos membros do coletivo, já que o que fazemos é algo que “deveria ser visto como correto” pela sociedade. Pois bem, obviamente por uma questão de segurança, para mantermos a integridade física dos nossos membros, tendo em vista que estamos sujeitos às mesmas ameaças vindas dos grupos nazifascistas que circulam nas ruas de São Paulo. E ainda nesse ponto da entrevista, denunciamos a repressão que os grupos que lutam pelos direitos dos trabalhadores sofrem em nosso país. A repressão policial em passeatas e manifestações, por exemplo, chega a ser brutal. Por esse motivo estamos cientes de que a polícia é o braço armado do Estado nas ruas, que visa silenciar a todos os que lutam contra os moldes desse sistema capitalista, responsável por gerar a exploração do homem pelo próprio homem, a miséria e todas as formas de preconceitos e exclusões: racismo, homofobia, machismo e o separatismo.

Um outro ponto que procuramos ressaltar na entrevista foi a necessidade da denúncia pública dos quadrilheiros que circulam nas ruas de São Paulo. Todos esses nazifascistas levam uma vida “comum” quando não estão espalhando o ódio, ou seja, trabalham, estudam, frequentam tranquilamente os locais públicos sem serem identificados. Uma ação de denúncias dessas pessoas e desses grupos se faz necessária, imediatamente.

Podemos dizer que a entrevista seguiu esse esquema, sendo finalizada com algumas informações básicas sobre a cultura skinhead: visual (vestimentas), musical (bandas antifascistas e ligadas à RASH e bandas que defendem de extrema-direita, ultraconservadoras) e as formas de autodefesa.

A nossa entrevista, juntamente com as dos demais grupos e pessoas que participariam do programa, foi ao ar ontem (26/07) às 23h. Diante da versão final e editada do programa (à qual obviamente não tivemos acesso antes da exibição nacional),  gostaríamos de tecer alguns comentários:

Com os últimos acontecimentos que colocaram em evidência o termo “skinhead”, temos observado que  pessoas bastante suspeitas vêm sendo procuradas pela mídia para comentar e opinar a respeito, sendo estas apresentadas como “pesquisadores” e “especialistas” no tema. No caso do programa de ontem à noite, um desses  “especialistas” que a mídia vem apadrinhando (já apareceu em outras emissoras/programas falando sobre os “skinheads”), relata abertamente sua vinculação com grupos de ódio. E, por coincidência, é a mesma pessoa que "citamos" aqui em abril do ano passado, que por trás da fachada de “pesquisador”,  mal consegue ocultar o rabo preso com quadrilhas nazifascistas.

O outro “pesquisador” que participou do programa pouco se preocupou em disfarçar sua admiração pelos Carecas, grupo que procurou desvincular da extrema direita.  O “pesquisador” coloca o grupo dos Carecas como algo à parte, um produto tipicamente nacional, como se existisse apenas no Brasil, quando todos sabemos que existem grupos semelhantes (ultradireita que não se identifica  como White Power),  em países como Chile,  México e inclusive na França dos anos 80.

Uma boa parte do programa foi destinada ao caso ocorrido em 2003, quando Carecas foram acusados de obrigarem dois rapazes a pularem de um trem em Mogi das Cruzes, causando a morte de um deles e a amputação do braço do outro. Porém o que nos espantou foi que a vítima teve pouco tempo para falar, a maior parte ficou por conta de um dos Carecas acusados, que usou a oportunidade para se defender, apresentando-se como a grande vítima do episódio.

Como dissemos no início, abordamos durante a entrevista coisas que acrescentariam positivamente para o reconhecimentos dos skinheads antifascistas, que esclareceriam de forma política a nossa luta, deixando em evidência o nosso lado classista. Ressaltamos também a importância das mulheres em nosso coletivo – éramos duas mulheres e dois homens concedendo a entrevista – e denunciamos o machismo presente no próprio movimento libertário, mas nada disso foi ao ar.  Obviamente reconhecemos o caráter conservador da MTV e sempre tivemos claro que nosso discurso passaria por um filtro antes de ser retransmitido ao público. Mas consideramos também que nossa participação teve um caráter didático.  É muito importante não nos deixarmos deslumbrar pela exposição na grande mídia: o Capital é esperto e tem um estômago enorme, pronto para digerir os egos mais inflados. Devemos, sim, aproveitar essa visibilidade parcial de agora para estabelecer nossa própria agenda e canais de comunicação com a sociedade.

Abaixo segue vídeo com o programa na íntegra, disponibilizado pela própria emissora em seu site na internet:

terça-feira, 19 de julho de 2011

9 de Julho de 1932 não é motivo de orgulho... O orgulho paulista é ser universal!


Todos os anos no estado de São Paulo, na data de 9 de julho, é comemorada a Revolução Constitucionalista de 1932, onde os paulistas se opuseram ao governo de Getúlio Vargas. Opuseram-se porque com a entrada desse governo, o estado perdia o poder que tinha sobre o resto do país, em outras palavras, não se conformava de ter sido botado de escanteio.

Mas não queremos discutir aqui em um primeiro momento a questão histórica do fato, mas sim evidenciar o absurdo que é resgatar uma data como essa, desconstruir o mito que vem sendo criado.

Anualmente nas manhãs desse feriado, militares desfilam pelas ruas da cidade e são aplaudidos pela população. Pessoas balançam as bandeiras do estado com orgulho, sem ao menos saber o que representou a tal Revolução Constitucionalista e que estava longe de ter algum interesse para a população do estado, mas apenas para a sua elite.

Quando dizemos que a nossa preocupação está no mito que vem sendo criado em cima desta data, é pela maneira como a mesma vem sendo resgatada. O problema está em como grupelhos e quadrilhas de ultradireita estão se apropriando de um evento histórico que não passou de uma disputa entre as oligarquias da época, mitificando-o de maneira a servir aos seus interesses.

O estado de São Paulo sempre esteve conectado com o resto do país e do mundo, conexão essa que reflete na composição étnico-cultural de sua população, que é uma mistura de tudo.

Diante dessas palhaçadas o Coletivo RASH SP não podia se calar...



(Ao fim do vídeo, aparece a indicação para uma merda fascista. Não conseguimos alterar isso.)