Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



terça-feira, 20 de setembro de 2011

NOTA DO COLETIVO RASH-SP A RESPEITO DOS ACONTECIMENTOS DE 3 DE SETEMBRO


Na noite de 3 de setembro de 2011 um punk de 25 anos foi assassinado por gangues nazistas diante de uma casa de shows onde se apresentava a banda inglesa Cock Sparrer. Foi uma morte anunciada, uma vez que pelo menos uma semana antes do crime a informação de que diversas quadrilhas autodenominadas White Power ("poder branco", bandos de orientação racista e nazista) estariam na entrada do show com o objetivo de matar. Todos sabiam, inclusive a polícia, que havia sido formalmente avisada com antecedência pelos organizadores do evento a respeito da presença iminente destes grupos de ódio no local. Nem mesmo a delegacia responsável pela repressão aos crimes de ódio, que afirma manter informantes e agentes infiltrados em todas as gangues da cidade, agiu a tempo de impedir a tragédia.

Poucas horas após o crime, a imprensa já noticiava o acontecimento de maneira irresponsável, descrevendo-o como uma mera briga de gangues e divulgando informações inverídicas. Inclusive nosso coletivo foi nominalmente citado em matéria postada naquela mesma noite no portal de internet do jornal Folha de São Paulo, na qual os jornalistas Diego Shuda e Raphael Sassaki afirmam de forma absolutamente mentirosa e irresponsável que a RASH-SP participou ativamente do confronto que resultou no homicídio.

Infelizmente essa está longe de ser a única matéria de má-fé lançada pela mídia sobre o incidente. Alguns jornais se referiam à vitima de forma desrespeitosa, enquanto outros mal citavam que o ataque foi promovido por nazifascistas dos mesmos grupos que recentemente foram responsáveis por ataques a homossexuais e moradores de ruas. Completando o festival de desinformação, um amplo espaço vem sendo dado pela mídia a figuras que se autointitulam "especialistas" em gangues e skinheads e que são, para dizer o mínimo, simpatizantes dos grupos de ódio. O fascista David Vega pode ser, no máximo, porta-voz de seus amigos dos grupos de ódio, mas jamais alguém cuja análise contribua para esclarecer alguma coisa. 

Parece claro que por trás desta tendência de tratar o assunto como uma mera guerra entre gangues há uma tentativa de criminalizar aqueles que nas ruas se opõem aos grupos de ódio. Alertamos que a criminalização dos grupos de subcultura jovem - gangues, crews, turmas ou o nome que queiram dar a eles - é absolutamente contraproducente para o combate à violência nas ruas e aos grupos de ódio. O que ainda não sabemos é se esta tentativa de criminalização baseia-se unicamente na ignorância e preconceito por parte da imprensa e do Poder Público, ou se oculta outros interesses. O que sim, podemos afirmar é que muito pouco tem sido feito pelo Poder Público para reprimir os grupos de ódio que circulam nas ruas de São Paulo com cada vez mais tranquilidade, enquanto punks e skinheads antifascistas e antirracistas vêm vivendo sob constante pressão policial.

Não aceitamos que nos transformem em bode expiatório, como se fôssemos os responsáveis por uma situação de violência cujo agravamento parece interessar a muitos - à imprensa, aos políticos, à polícia. E também às próprias quadrilhas nazifascistas, cuja falta de cérebro não permite que sua ação transcenda a violência ganguista. A experiência nos ensina que podemos contar muito pouco com a mídia e os órgãos de segurança, que parecem muito mais interessados em desinformar a população e criar um clima de pânico irracional em relação às subculturas urbanas que reprimir de forma efetiva os grupos de ódio que ameaçam a todos e a todas. Por isso vamos intensificar o trabalho de informação à população, esclarecendo não apenas a respeito de nossas subculturas, mas principalmente o que são os grupos de ódio e quem são seus membros. Sabemos que hoje muitos punks e skinheads que acreditam na luta contra o preconceito e a exclusão, estão presentes em salas de aula como professores ou mesmo atuando como jornalistas sérios. Vamos usar essa experiência a nosso favor, assumindo a responsabilidade de falar com propriedade sobre o tema, combatendo o estereótipo de que todos são jovens ganguistas, mantendo também firme a ideia de que cabe a nós mesmos documentar a nossa história.

Se queremos resgatar a origem do movimento skinhead (Remember Your Roots / Back to ’69 / Spirit of ‘69), que seja no seu ponto mais marcante: mantendo o seu espírito multiétnico. Continuaremos a formar alianças com todos os outros grupos que são alvos dos pilantras nazifascistas, ou seja, toda a sociedade que não se enquadra no padrão “homem, branco, heterossexual, cristão e burguês”: xs negrxs, as mulheres, xs dissidentes sexuais, xs imigrantes, xs nordestinxs...

Fortaleceremos cada vez mais nossa união contra essa corja de quadrilheiros, que estão sós com seu racismo, enquanto nós somos muitxs! Somos todxs!

2 comentários:

Cabral disse...

Infelizmente, esses crápulas fascistas ainda existem em nosso mundo...Apesar de eu não ser comunista ou anarquista, me solidarizo com a causa antifascista, pois toda a doutrina que seja anti-iluminista, anti-modernista, tradicionalista, de caráter irracionalista ou de caráter clericalista ou religiosa ou, até mesmo, ateísta (pois considero o ateísmo fruto da religião), deve ser esmagado com a força de nossas ideias.

Continuemos de pé! Contra o integralismo! Contra o fascismo e o nazismo!

[denise abramo] disse...

morreu um punk, mas o punk não morreu. nem as idéias da resistência, da subversão, da ação anti-fascista e revolucionária.