Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

BARRADOS NO BAILE

A presença do Coletivo RASH-SP nas manifestações a favor dXs dissidentes sexuais tem se tornando frequente e este ano novamente marcamos presença na Parada Gay na Avenida Paulista, no último dia 10.

Nosso objetivo principal era apoiar a luta contra a homofobia, criticando a criminalização das minorias na cidade de São Paulo, criar um bloco único – uma frente antifascista – com os demais grupos, crews, coletivos e indivíduos independentes, ligados à subcultura punk e skinhead.

Juntamente com a Maloka Eletrika, as meninas dXs JubiladXs e Xs punks antifascistas da city, sempre dispostXs a colaborar com o coletivo, preparamos o panfleto abaixo, muitas bandeiras rojo y negras, faixas com dizeres antifascistas e contra o capitalismo e também lenços cor de rosa choque, pintados com as 3 setas antifascistas, para cobrir os rostos dos manifestantes e que foram distribuídos entre as pessoas presentes. Reforçando o nosso grupo, contamos com a presença de um camarada da RASH Bogotá (Colômbia), que inclusive contribuiu com ideias durante a marcha e sugeriu inovações que já deram certo na seção de Bogotá. Pretendemos nos próximos dias organizar um debate para a troca de experiências com este camarada.

Logo no início da manhã, estávamos todos na região da Avenida Paulista, como combinado, já portando faixas, panfletos e bandeiras. Como de costume, a Parada Gay deste ano continuou com o caráter de uma micareta, lembrando muito pouco o espírito de luta do levante de Stonewall. E como numa previsão certeira quanto à criminalização dos movimentos sociais atualmente em curso em São Paulo e que criticamos em nosso panfleto, fomos barrados no baile!

A Polícia Militar estava nos pontos de acesso à marcha e sem pensar duas vezes tentou impedir que o nosso grupo (que nesse momento já era bem maior, pois já estávamos juntos com outros grupos de punks e skinheads que se organizaram para o evento) se integrasse à Parada, sem nenhuma justificativa, simplesmente cercando todXs Xs manifestantes com a intenção de nos intimidar. Exigiram que a maioria das pessoas abrissem suas bolsas e tirassem seus pertences para revista. Tivemos que desenrolar todas as faixas e bandeiras para “averiguação” e então surge a notícia de que não estávamos autorizados a entrar, sob a acusação de que éramos “grupos contra a parada” e que não liberariam a entrada.

Esse momento pede uma reflexão: será que nenhum dos policiais que lá estavam teve a capacidade de associar os dizeres claros e diretos de nossas faixas, camisetas, bandeiras, patches e buttons, inclusive os lenços cor de rosa choque e entender que estávamos do mesmo lado dXs dissidentes sexuais?

Nesse momento os policiais já tinham cercado todos os punks e skinheads e agora o motivo alegado para não entrarmos eram as hastes de PVC de nossas faixas e bandeiras, logo em seguida começaram a intimidar algumas pessoas do grupo e a exigir que um líder fosse apresentado. Nenhum um líder foi apresentado, éramos um grupo completamente horizontal.

Após tentarem ler o panfleto e não entenderem nada, voltaram a cercar o grupo, desta vez movendo as grades que estavam na calçada de forma a fechar todas as pessoas em um único espaço. Estava claro que o próximo passo era prender algumas pessoas para intimidar e enfraquecer todo o grupo.

Resistimos e o objetivo do grupo foi atingido: integrar-se à marcha, panfletar e tremular nossas bandeiras socialistas. Não esperamos nenhum tipo de colaboração da polícia (e nem é desejável), pois eles estavam exatamente cumprindo o seu papel, em conjunto com a com o Estado, que juntos criminalizam os movimentos sociais e contando até com a colaboração da organização reacionária do evento, que não têm interesse que a Parada Gay de São Paulo tenha o caráter de manifestação política, mas sim o de uma micareta.

Conclusão: A atitude da polícia em relação a nossa presença na Parada mostrou que o texto de nosso panfleto, criticando a perseguição policial aos grupos oprimidos de São Paulo foi mais que oportuno. O Estado, através de todo o seu aparato policial, criminaliza as minorias e aqueles que as apoiam. Tentaram impedir a nossa participação, para que a Parada fosse somente festa e não houvesse grupos políticos.


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