Não Somos Gangue!

Não somos uma gangue! Não somos um partido político! Somos um coletivo de Skinheads Antifascistas, composto por anarquistas e comunistas! Acreditamos na igualdade de todos os seres humanos, sem bandeiras, sem separatismo, sem preconceito ou qualquer barreira, seja ela de classe, cor de pele ou orientação sexual. Nossa principal atuação é no meio contracultural em que estamos, levando nossos princípios de esquerda e princípios libertários, atuamos através da propaganda antifascista, mas vamos além disso, procuramos atuar junto à classe trabalhadora, o verdadeiro pilar da sociedade, a luta do trabalhador, do pobre, do explorado, essa é a nossa luta. Defendemos a cultura Skinhead, cultura que nasce nos subúrbios ingleses, de uma juventude de imigrantes jamaicanos, negros, e da juventude inglesa trabalhadora das periferias, fabricas e portos. Cultura de união, diversão, futebol, cerveja, e luta, porém uma luta de cabeças, não de botas e facas. Dos que nos oprimem nada esperamos. Esperamos apenas de nossos irmãos de classe.



FAQ

1) O que é a RASH United?
A RASH - sigla em inglês para Skinheads Anarquistas e Comunistas (Red and Anarchist Skinheads) - é uma rede internacional de skinheads que mantêm uma visão esquerdista e antifascista, tanto dentro da subcultura skinhead, como fora dela, no dia-a-dia, em sociedade.

2) Quais são os propósitos e objetivos da RASH?
Os principais objetivos e propósitos da RASH seriam: acabar com o mito (tanto na mídia quanto na idéia do publico geral) que os skinheads são racistas; expandir a verdadeira subcultura skinhead, ligada à sua origem multirracial e à classe operária; combater a existência de idéias de extrema direita dentro e fora da cena skinhead; participar como uma força ativa e organizada de skinheads nos atos e movimentos da classe trabalhadora. Em resumo, difundir as idéias de esquerda, promover a organização e crescimento da RASH, como um grupo de skinheads antifascistas militantes e reivindicar a cultura skinhead.

Todas as seções RASH´s devem ter como base e aceitar os pontos de unidade resumidos a seguir (clique aqui para conferir os pontos de unidade da RASH na íntegra), que também podem ser vistos como objetivos da RASH: a) ausência de sectarismo; b) socialismo revolucionário; c) poder operário; d) antifascismo; e) anti-violência policial; f) combate ao racismo, homofobia e ao machismo; e f) anti-imperialismo. Esses pontos são o que norteia a luta da RASH, assim como seus objetivos, onde buscamos uma sociedade sem classes.

3) Como alavancar esses objetivos?
Buscamos trabalhar dentro da “cena underground”, com o objetivo de promover nossas idéias para outros grupos de skinheads antifascistas, estreitar relações com grupos organizados e não sectários do movimento punk e do hip-hop, por exemplo. Acreditamos que estreitar a relação com esses indivíduos que pensam como a RASH, torna essas subculturas mais fortes e unidas, já que o que cada um tem de diferente, não é motivo suficiente pra que marchemos separados.

Promovemos reuniões periódicas entre os membros do coletivo RASH SP, para discutirmos o interesse da cena skinhead e definir como iremos promover e difundir nossas idéias. Mantemos bimestralmente um boletim informativo e também essa página na internet, com informações sobre atividades políticas e culturais da cena skinhead. Publicamos também flyers e panfletos informativos, buscando alcançar aqueles que simpatizam com a nossa luta e também com intuito de desmistificar a idéia errônea de racismo dentro do movimento skinhead. Ainda dentro do campo de divulgação de informação, atuamos com a propaganda antifascista - com textos, panfletos, imagens, camisetas, etc. – visando combater as idéias racistas, machistas e homofóbicas.

Organizamos palestras, manifestações, shows, gigs, campeonatos de futebol, festivais em geral, enfim, eventos antifascista para reunir todas as pessoas que pensam da mesma forma que nós e apóiam a nossa luta. Esses eventos servem também para estreitar relações com outros grupos antifascistas e no caso de shows/gigs, convidamos bandas de Ska, Oi! e Punk para participarem.

A RASH vê a sociedade dividida em classes sociais, mais precisamente duas classes, os capitalistas e os trabalhadores. Partindo dessa visão de sociedade, procuramos atuar apoiando os atos políticos da nossa classe, como greves, manifestações, mobilizações contra o racismo e a homofobia. Tudo isso fora da “cena skinhead”, mesmo sabendo que nossa atuação nesse ponto é limitada, principalmente por sermos um grupo contra-cultural e que a cultura skinhead ainda é vista de forma deturpada pela sociedade, graças à mídia sensacionalista.

4) Como está organizada a RASH no Brasil hoje? E no mundo?

A RASH no Brasil esta organizada em duas seções oficiais, que são: Fortaleza/CE e São Paulo/SP, porem isso não que dizer que não exista mais seções da RASH em outras regiões do Brasil, apenas são seções não-oficiais por enquanto, como: Porto Alegre/RS; Curitiba/PR, Brasília/DF, Salvador/BA, Espírito Santo/ES e Rio de Janeiro/SP. Temos a tentativa de criar uma unidade entre as seções RASH a nível nacional, fato que estamos trabalhando para que isso aconteça. Já a nível mundial, a RASH tem seções em todos os continentes tendo países em que a RASH tem uma grande atuação e um forte peso, já países em que a RASH é pequena ou esta começando a se estruturar, como exemplo de grandes seções, temos: RASH Madrid (Espanha), RASH Bogotá (Colômbia) e RASH Toronto (Canadá).

5) O que é anarquismo?
Quando falamos em anarquismo logo nos vem à cabeça a idéia de bagunça, desordem e tudo o que for relacionado à algazarra, mas será mesmo esse o significado do termo anarquismo?

Anarquismo é uma corrente política cuja ideologia defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação (política, econômica, social e religiosa). Em resumo, os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade total, porém responsável.

Os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade dos indivíduos, solidariedade (apoio mútuo), coexistência harmoniosa, propriedade coletiva, autodisciplina, responsabilidade (individual e coletiva) e forma de governo baseada na autogestão.

Com isso podemos ver que anarquismo é bem diferente do que muitos imaginam ser, bagunça e desordem. Porém anarquismo vai, além disto, pois não tem como se chegar a uma sociedade anarquista do dia para a noite e os anarquistas sabem disso, ao menos alguns. Pois para se transformar algo, deve haver organização, caso contrário, não agüentamos a batalha, e isso ocorreu com o anarquismo muitas vezes, o que levou alguns anarquistas a procurarem se organizar em forma de partido, coletivo e outros tendo um objetivo bem claro a derrocada do sistema, e a construção de uma sociedade sem Estado e sem capital, mas muitos anarquistas são contra esta forma de organização, pois alegam ser autoritária, portanto, vai contra os princípios do anarquismo. Com isso podemos observar que dentro do anarquismo se tem vertentes de pensamentos diferentes Aqueles que alegam que uma organização política vai na contramão do anarquismo se engana, pois quem é um dos maiores se não o maior anarquista de todos? Bakunin.

E foi Bakunin quem sempre procurou organizar secretamente os revolucionários, e o que seria essa organização se não uma espécie de partido, onde ele criou a Aliança dos Socialistas Revolucionários para dar liga aos trabalhadores e atuarem de forma mais organizada.

E exemplos de organização anarquista não faltam, tivemos os anarquistas ucranianos que durante a Revolução Russa se organizaram na Makhnovitchinia, os anarquistas espanhóis que durante a Revolução Espanhola se organizaram no grupo Amigos de Durruti e tantas outras formas de organização, mas estas duas mostram a visão destes anarquistas durante o processo enfrentado por eles, em momentos revolucionários onde viram a necessidade de uma tática e estratégia, que não tinham, atuavam pela vontade e convicção. O que mudou e a partir daí muitos anarquistas procuraram se organizar em organizações políticas anarquistas, com propostas táticas e estratégias definidas, tendo linhas de atuação.

Alguns de seus principais pensadores: Proudhon, Bakunin, Malatesta e Makhno.

6) O que é comunismo?
Para muitas pessoas comunismo está associado ao autoritarismo, pessoas todas iguais, usando mesma roupa, carros iguais, não tendo tecnologia, coisas retrogradas. Ou seja, uma ideologia ultrapassa, pois morreu junto com a queda do muro de Berlin, mas o que é este modelo político que causa tanto alvoroço aos capitalistas?

O comunismo pode ser definido como uma ideologia (propostas sociais, políticas e econômicas) que visa à criação de uma sociedade sem classes sociais. De acordo com esta ideologia, os meios de produção (fábricas, fazendas, minas, etc) deixariam de ser privados, tornando-se públicos. No campo político, a ideologia comunista defende a ausência do Estado.

Para os comunistas quem fará a Revolução é o partido, e para isso as pessoas necessitam estar em suas fileiras, isso através do trabalho de propaganda do partido, pois ele é o único com condições de derrotar o capitalismo. Ocorrendo a Revolução e os comunistas, ou melhor, o proletariado vencendo-a, o partido assume o poder desenvolvendo as atividades antes feitas pelo Estado. Mas, o partido vai se diluindo aos poucos na sociedade até o ponto de não existir mais nem partido nem Estado.

As idéias do sistema comunista, forma desenvolvidas principalmente por Karl Marx. Onde ele defende a tomada de poder pelos proletários e a adoção de uma economia de forma planejada para acabar com as desigualdades sociais, suprindo, desta forma, todas as necessidades das pessoas. Uma obra importante, que apresenta esta ideologia, é "O Manifesto do Partido Comunista" de Marx e Engels, assim como O Kapital.

O grande marco histórico do comunismo foi a Revolução Russa de 1917. Podemos citar também, neste contexto, a Revolução Cubana que ocorreu em 1 de janeiro de 1959 e a Revolução Chinesa.

Outros importantes teóricos do comunismo foram: Rosa Luxemburgo, Antônio Gramsci e Vladimir Lênin e Leon Trotsky.

7)  Como podem anarquistas e comunistas andar juntos?
Em um primeiro momento, deve ficar claro que não somos um partido político, somos um coletivo de skinhead, onde têm comunistas e anarquistas. Nossa principal atuação se dá no meio contra-cultural levando nossos princípios libertários e de esquerda, na luta contra o fascismo, o nazismo, o nacionalismo, a homofobia, o machismo, o racismo e todas as formas de preconceito.

Podemos andar juntos, pois nossos objetivos principais são os mesmos acabar com a sociedade de classes, e com a exploração, e nisso não existe divergências.

Porém cada indivíduo tem suas militâncias pessoais, que nada interfere no coletivo, desde que respeitados os pontos de unidade acima apresentados.

As críticas e generalizações mais freqüentes feitas em relação ao movimento skinhead como um todo, e à corrente RASH em particular, concentram-se nos aspectos relacionados ao culto e a prática à violência, a xenofobia, a estética skinhead, a cultura proletária, a união entre anarquismo e comunismo (já respondido anteriormente).

Frente a isso, como skinheads anarquistas e comunistas, membros da seção São Paulo do movimento RASH e como ativistas antifascistas, anti-racistas, anti-sexistas e anti-homofóbicos, resolvemos elaborar e tornar pública uma resposta nossa, com o intuito de esclarecer alguns pontos confusos apresentados sobre nosso movimento, discordar das críticas que consideramos equivocadas e declarar nossa concordância em relação àquelas que acreditamos serem corretas.

Segue nosso posicionamento sobre nos aspectos acima relacionados:

8)  Questionamento quanto às raízes do movimento skinhead serem xenófobas.
O movimento skinhead em seus primórdios na Inglaterra da década de 1960, era multi-étnico, unindo jovens negros e brancos. Este fato, que vai contra a afirmação de que todos os skinheads são racistas, torna-se hoje inegável. Mesmo nossos críticos mais ferrenhos são obrigados a admiti-lo (a contragosto obviamente).

No entanto, ainda que essa união étnica primordial entre negros e brancos seja conhecida de nossos críticos, muitos deles insistem em afirmar que somos todos originalmente e essencialmente xenófobos. Para tanto, baseia-se em um fato relativamente conhecido e verídico: em seus primeiros anos, skins ingleses negros e brancos, hostilizavam a comunidade paquistanesa que vivia naquele país, praticando o chamado “paki bashing”. Em português, “paki bashing” pode ser traduzido para “espancamento do paquistanês” ou coisa parecida. Ou seja, skinheads negros e brancos ingleses atentavam contra os paquistaneses, espancando-os com certa freqüência e nas mais variadas ocasiões.

Para muitos de nossos críticos, o “paki bashing” representaria um forte indício do caráter xenófobo e racista do movimento skinhead original, mesmo a despeito da união entre skins negros e brancos. Sobre esse aspecto da questão, concordamos com alguns pontos e discordamos de outros.

Acreditamos que esse não era um ato que pode ser classificado diretamente como racista. Para isso, estamos nos apoiando na idéia de que como esse era praticado – paki bashing - tanto por brancos e negros, seria uma grande contradição, duas “raças” se unindo para discriminar uma terceira, não? Simplesmente é impossível imaginar que os skinheads dos anos 60 se juntaram, “formaram” uma mesma “raça” e que essa seria superior à “raça” dos paquistaneses. Portanto, não concordamos em classificar o ato simplesmente como racista.

De modo algum negamos que o “paki bashing” era praticado por parte dos skinheads originais ingleses da década de 1960, fossem eles negros ou brancos. Não negamos também que esse tipo de ação poderia conter uma pesada carga de xenofobia – nos posicionaremos a respeito a seguir – mas discordamos firmemente que não de racismo, pelo ponto de vista acima apresentado. Também acreditamos que seja apressado afirmar com veemência que essa prática era uma característica fundamental, essencial ou necessária do movimento skinhead original.

Que esteja claro que não queremos justificar aqui o ato do paki bashing e muito menos defender os skins que o praticavam. Voltamos a dizer: esse é um ato lamentável e completamente desnecessário e desprezível. Porém não se sabe a proporção de skinheads que eram adeptos desta prática estúpida e cruel. Até que se possa determinar de modo incontestável, que a maioria dos skinheads ingleses daquele período praticava o espancamento de paquistaneses, não se pode dizer com exatidão e certeza que essa prática era parte integrante e essencial do movimento skinhead original como um todo. Poderíamos afirmar que esse movimento skinhead original era xenófobo em sua raiz, se ficasse comprovado que apenas uma minoria de seus membros praticava o espancamento de paquistaneses? Obviamente que não. Seria como afirmar que todos os seres humanos foram e são nazistas porque em dado momento de nossa história, uma minoria de habitantes desse planeta defendeu as bandeiras de Adolf Hitler. Generalizações são perigosas e por isso devem ser evitadas se o que se busca é analisar algo com sinceridade, objetividade e seriedade.

E outro ponto de discussão que pode ser levantando, é a classificação do ato puramente como xenofobia, já que os skins da década de 60 eram compostos por brancos ingleses e negros jamaicanos, logo, estrangeiros...

A verdade é que, nesse momento, não se pode dar por certo que o movimento skinhead original inglês da década de 1960 era por definição xenófobo, só porque um número indefinido e incerto de seus membros, estupidamente e covardemente, espancava paquistaneses. Claro que, anarquistas e comunistas que somos, repudiamos o “paki bashing”, mas não devemos crucificar todos os skinheads pelos erros de alguns. E mesmo que o movimento skinhead original inglês da década de 1960 fosse xenófobo por praticar majoritariamente o “paki bashing”, responderíamos tranqüilamente que não estamos na Inglaterra e muito menos na década de 1960. Conclusão óbvia: não somos skinheads originais ingleses da década de 1960. Se eles eram xenófobos, isso não quer dizer que nós do RASH, que vivemos em 2010, sejamos.

 
Qual o sentido de nos ver como responsáveis por atos fascistas cometidos há quase 40 anos atrás por cretinos que viviam bem longe daqui? Qual foi a última vez que se noticiou que skinheads originais ou tradicionais espancaram paquistaneses? Provavelmente, isso nem acontece mais. Nem na Inglaterra, nem em qualquer outro lugar. Claro que os white power, "cabeças-de-merda" que são, continuam praticando esse tipo de covardia. Mas não seria justo condenar todas as outras correntes skinheads dos dias de hoje, pelos erros cometidos por um número desconhecido de skins originais da década de 1960.

O que deve ficar claro de uma vez por todas é que, de fato, nós do RASH não somos skinheads originais. Portanto, não compartilhamos de todas as suas características. Conscientemente, o movimento RASH abandonou os traços negativos e equivocados do movimento skinhead original, mas seguimos como skins porque mantemos seus traços positivos. Nesse sentido, o RASH seria algo como uma superação ou melhoramento do que fora o movimento original. Podemos ser vistos como skinheads que superaram o apoliticismo, o nacionalismo e outros pontos que classificamos como falhas do movimento skinhead original. Podemos ser vistos como algo já tão diferente do movimento skinhead original que não somos mais apenas skins, mas membros desse novo movimento que é o RASH. De qualquer forma, ficaria difícil sustentar com sinceridade que somos xenófobos, fascistas ou coisas do tipo. Esse é o nosso recado aos que ainda insistem em nos criticar com acusações desse tipo.

9) O culto e a prática da violência, onde afirmam que nossa cultura é pura e simplesmente baseada na violência.
Muito de nossos críticos mais contundentes são precisos em apontar o modo negativo e estúpido com que a violência era utilizada e vista pelos skinheads ingleses, nos primeiros anos de sua existência. Os primeiros skins, apolíticos que eram, cultuavam a violência pela violência, sem que esta tivesse qualquer função política nem fizesse parte de qualquer plano de ação revolucionária. Para os que nos criticam, um tal uso inconseqüente e irracional da violência deve ser execrado e combatido por todo aquele que defende relações sociais pautada pela positividade e pela liberdade de fato.

Nós do RASH concordamos que o culto à violência sem propósito é incorreto, ao qual se dedicavam muitos skins originais na década de 1960, é um aspecto negativo da cultura skinhead, devendo, portanto, ser combatido, abandonado e superado. Para o coletivo RASH, o uso da violência só pode ser legitimado e aceito se este se constituir em método concreto de ação revolucionária de combate ao capital, ao fascismo, ao racismo e ao preconceito de qualquer tipo.

Também acreditamos que o culto e o uso leviano da violência era uma forte característica do movimento skinhead original. Mas afirmamos de modo tranqüilo e decidido: como membros do coletivo RASH, não somos skinheads originais. Permanecemos fiéis aos aspectos originais positivos deste movimento, no entanto, procuramos superar seus aspectos nocivos e negativos. Para nós, o uso da violência deve ser obrigatoriamente e exclusivamente revolucionário. O culto idiota à violência sem propósito, característica do movimento skinhead tradicional, deve ser abandonado, superado, criticado e combatido.

10) Todos os elementos da estética skinhead são uma alusão à violência inconseqüente. O culto à forma física também é inerente ao skinhead. A estética skin é fundamentada na imagem do "brutamontes", seja esse White Power ou RASH.
Como dito no tópico anterior, nós do coletivo RASH afirmamos ser contra o uso que os skinheads originais faziam da violência, e explicitamos nossa concordância com o uso revolucionário, anticapitalista e antifascista da violência como o único uso legítimo. Entretanto, muitos ainda nos criticam porque vêem em nosso visual, em nossas expressões estéticas, um culto simbólico à violência. Assim, cabe agora mostrar que a estética skinhead, sobretudo a RASH, nada tem que ver com a apologia da violência pela violência, como nossos adversários parecem afirmar. O visual RASH é semelhante ao visual skinhead original? Sim! Os skinheads originais eram violentos? Sim! Mas essa estética que compartilhamos com o movimento skinhead original pouco tinha e pouco tem que ver com violência, estando ligada ao cotidiano, à tradição, à luta e ao próprio estilo de se vestir da classe trabalhadora inglesa e de outros países. A estética skinhead já é bastante conhecida. Seus elementos básicos eram e são os cabelos curtos, as botinas e os suspensórios. Mas esses aspectos visuais funcionam mais como elementos de identidade do que como uniformização estética autoritária. Eles são mais uma homenagem ou tributo idealizado à tradição das classes trabalhadoras que uma padronização no modo de vestir, como procuraremos mostrar adiante. Os skinheads originais ingleses não tinham todos a cabeça completamente raspada “à máquina zero”, como se acredita por aí. Muitos skinheads, para não dizer a maioria, apresentavam o cabelo relativamente longo, às vezes longo o suficiente para que fosse feita uma risca. Uma pesquisa iconográfica mais atenta, sobre os anos iniciais do movimento skinhead, comprovaria essa nossa afirmação.

Outra idéia falsa propagada por nossos críticos é aquela que diz que os skinheads cortavam seus cabelos curtos devido às lutas e brigas de rua. Os cabelos curtos estariam intimamente ligados a uma estética de violência e dariam uma vantagem fundamental em uma fuga ou combate corporal, já que os inimigos de peleja literalmente não poderiam agarrar os skinheads pelos cabelos. Essa pretensa lógica de acumular vantagens em enfrentamentos físicos também explicaria o uso de suspensórios: caso fosse agarrado ou levado ao chão, a utilização dos suspensórios e de calças largas permitiria ao skinhead desvencilhar-se daquele que o a agarrava, perdendo então os próprios suspensórios e/ou as próprias calças. Já as botinas seriam usadas para tornar as agressões físicas mais eficientes.

A argumentação acima procura mostrar então que a estética skinhead sempre esteve vinculada ao culto da violência inconseqüente. Pois bem, essa argumentação é falsa, frágil e pueril. Indicamos que muitos skinheads tinham cabelos suficientemente grandes para serem agarrados, o que desmente parte da afirmação de nossos críticos. Agora imaginem o quão larga deveria ser uma calça para que um indivíduo em fuga, correndo ou caído, pudesse se desvencilhar dela no caso de ser agarrado. Isso é mais que improvável. É impossível e logicamente engraçado. Basta observar as fotos que se encontre sobre os skinheads, original ou não, para perceber que suas calças eram até bastante justas, e que seus suspensórios eram apenas acessórios visuais que pouco serviam para de fato segurá-las. Se você vem de uma família operária ou trabalhadora, dê uma olhada nas fotos de seus avôs e, principalmente, de seus bisavôs. Se você já tiver visto documentários ou filmes de época, que mostram trabalhadores do final do século XIX até 1950, procure se lembrar do modo como eles se vestiam. Muito provavelmente, em muitas das fotos e filmes, seus antepassados e os trabalhadores ali retratados estavam usando calçados pesados, suspensórios, boinas e cabelos relativamente curtos. Será que o faziam porque temiam ser agarrados? Será que o faziam porque queriam levar vantagem em brigas de rua? Ou eles assim se vestiam porque era a maneira como a maioria dos trabalhadores se vestia em centros urbano-industriais do século XIX e XX, como São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ, Londres, Nova Iorque, etc? O que queremos dizer é que a estética skinhead está ligada à maneira tradicional de se vestir e de se apresentar das classes trabalhadoras urbano-industriais dos séculos XIX e XX. Ou, pelo menos, ela é reflexo do modo como a classe operária inglesa e sua juventude, na década de 1960, viam e idealizavam essa maneira tradicional de se vestir de seus antepassados. Frente ao fato de que o movimento skinhead original surgiu no seio da classe trabalhadora inglesa e face à nossa argumentação, acreditamos que faça muito mais sentido explicar à estética skinhead por esse seu parentesco com o ambiente trabalhador. Ver nela um reflexo visual do apego irracional à violência, como querem fazer crer nossos críticos, é agir de modo impulsivo e infantil, é fechar os olhos à ponderação racional, é “forçar a barra”.

Outro ponto questionado por nossos críticos, em relação á estética skinhead, é aquele que trata de uma pretensa uniformização e culto à forma física. Muitos afirmam que os skinheads sempre cultuaram o corpo e a força física, exigindo de seus adeptos a adesão a esse culto e fazendo dele uma parte essencial do ato de ser skinhead, ou seja: todo skinhead deve ser forte, de constituição física bem definida e isso é um padrão ou uniformização que todo skinhead deve acatar, aceitar, respeitar e obedecer. Além disso, nossos críticos parecem sugerir que esse culto ao físico e à força é inegável, já que em seu material de divulgação, arte e propaganda, os skinheads sempre lançam mão de figuras humanas fortes, imponentes, agigantadas e, por vezes, violentas. Em primeiro lugar, entre os skinheads originais, entre os “tradicionais”, entre os SHARP´s. e entre os RASH´s, não existe qualquer padronização quanto ao físico ou formas corporais. Sempre existiram skinheads de todos os tipos físicos e nunca se seguiu padrão corporal algum, muito menos qualquer um que determinasse que fôssemos todos “brutamontes”. Basta analisar uma boa quantidade de fotos de skinhead para que isso fique evidente.  Obviamente, como em quaisquer grupos humanos, alguns membros do movimento skinhead praticavam e praticam atividades físicas, porque se sentiam e se sentem bem com isto, e porque viam e vêem nisso algo de positivo e importante do ponto de vista individual. Outros skinheads, por outro lado, agiam e agem de forma diferente, pouco se dedicando a exercícios corporais e à busca de uma constituição física mais avantajada ou definida. Se lutamos pela diversidade física como uma dentre tantas formas de expressão de nossa individualidade, devemos respeitar tanto aqueles que não se exercitam quanto aqueles que buscam uma constituição física diferente da que têm. Defender que ninguém pode exercitar-se nem se tornar fisicamente mais forte seria tão arbitrário e autoritário quanto obrigar a todo que se tornassem “brutamontes”. Muitos skinheads praticam lutas ou artes marciais, como boxe, muay thay e outras. Na maioria dos casos, isso é feito com o intuito de se estar preparado para defender se de agressões (inclusive desses que nos criticam) e/ou de se estar fisicamente (além de política e psicologicamente) preparado para a luta contra o capitalismo, o fascismo e o preconceito. Assim como os punks somos alvos constantes de violência, e assim como parte dos punks, muitos skinheads buscam se preparar para resistir a ela. Além disso, no caso específico do RASH United, por concebermos a violência como método legítimo de luta revolucionária, muitos acreditam que devem adquirir as habilidades e a constituição física que esse método exige para que seja feito com eficiência. Mas isso não se constitui, nem nunca se constituiu num padrão, norma ou regra. Aqueles que vêem na estética skinhead (sobretudo do RASH), a expressão da intolerância e da agressividade deste movimento, talvez argumentem que a alusão à força física e a veiculação de um padrão corporal musculoso e viril podem não estar presentes concretamente na maneira como vemos ou trabalhamos nossos corpos, mas que elas certamente estão presentes em nossa simbologia e no uso que fazemos de imagens em nossos materiais de divulgação e propaganda. Pois bem. Pedimos ao leitor que observe atentamente cartazes anarquistas e /ou comunistas produzidos durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Através das imagens de figuras humanas vigorosas e fortalecidas, os pôsteres anarquistas e/ou comunistas da Guerra Civil Espanhola transmitiam idéias e valores fundamentais a quaisquer grupos que se pretendam realmente revolucionários e combativos, como a idéia de força, de necessidade de combate, luta e sacrifício, e de união e espírito de grupo. A defesa desses valores e a maneira visual com que eram difundidos não os tornavam, de forma alguma, menos anarquistas nem menos comunistas. Seguindo a mesma lógica visual e comunicativa, muitos cartazes e figuras clássicas do movimento anarquista brasileiro também faziam uso de uma estratégia semelhante, para a transmissão de valores igualmente libertários. Como exemplo, podemos citar as conhecidas imagens de propaganda do jornal anarquistas “A Plebe” e da COB (antiga organização sindical anarquista), onde operários eram retratados sem camisa, imponentes, agigantados, com musculosos braços cruzados. Mais uma vez, o intuito era apenas transmitir idéias e valores necessários aos indivíduos e grupos que lutam por um mundo melhor, humano e livre. Tanto no caso dos espanhóis como no dos brasileiros (para ficarmos somente em dois dentre vários), a utilização gráfica e visual de figuras humanas engrandecidas não determinava qualquer padrão corporal ou físico que visasse transformar a todos em “brutamontes”. E se a estética presente na propaganda e na simbologia skinhead, sobretudo do SHARP e do RASH, é semelhante à dos anarquistas espanhóis da Guerra Civil, dos anarquistas brasileiros das décadas de 1910, 20 e 30 e de movimentos libertários e antifascistas dos mais variados períodos e localidades geográficas, podemos afirmar com segurança que uso desta estética não compromete nem nega o caráter antifascista do SHARP e nem o caráter anarquista e comunista do RASH.

Fazemos uso de uma estética semelhante em nossa comunicação visual porque defendemos os mesmos valores revolucionários de união, de força, de sacrifício e de luta revolucionária anticapitalista. Apenas isso. Em resumo, os traços gerais da estética skinhead estão ligados ao cotidiano e tradição das classes trabalhadoras, mesmo que de períodos distintos e lugares diversos.

Em seus traços específicos no que remete ao RASH, ela está ligada ainda ao histórico de lutas e sacrifícios revolucionários pelos quais estas mesmas classes, mundialmente, passaram e vêm passando. O movimento skinhead sempre esteve conectado às classes trabalhadoras. E por meio desta conexão que devemos explicar a estética skinhead. Afirmar que ela é resultado e sinal de um apego à violência pura e simples é argumentação frágil porque visivelmente equivocada.